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Uma Última Valsa

Joaquín Sabina

Un Último Vals

Cuando no salga mi jeta en los diarios
Ni los novios bailen ya Noches de Boda
Cuando solo esté de moda si me caigo otra vez del escenario
Cuando el otoño esté más loco que una cabra
Cuando cenes en el bar del hospital
Cuando ensayen los colegas las palabras que dirán el día de mi funeral

Cuando no sepa la orquesta la canción que te escribí
Cuando las casas de apuestas no den un euro por mí
Cuando cierren las cantinas y el laurel de mi corona sea de espinas
Aún voy a guardar un último vals para ti

Tú, que corriste a rescatarme de las llamas
Tú, que pusiste paz en mi ciudad sin ley
Tú, que aprendiste en mis electrocardiogramas
Que hace tiempo que no sigo siendo el rey

Yo, que soy cinturón negro en pesimismo
Que me fundo en cuatro copas el jornal
Que prefiero ser cualquiera a ser yo mismo
Que prefiero ser Don Nadie a ser Don Juan

Cuando la Luna se esconda para no verme sufrir
Cuando, en mis noches de ronda, ni Leiva me pida un bis
Y guarde luto la nieve, y no salgan las estrellas cuando deben

Cuando, ciertas mañanitas, no me pueda ni vestir
Deshojando margaritas que nunca dicen que sí
Cuando agonicen las flores y los pájaros padezcan mal de amores
No olvides guardar un último vals para mí

Cuando enmudezcan por decreto los cantantes
Y los amantes hagan huelga general
Y los mejores estudiantes se doctoren con honores
En el arte de ignorar

Cuando no sepa la orquesta la canción que te escribí
Cuando las casas de apuestas no den un euro por mí
Cuando cierren las cantinas y se baile reguetón en la oficina
Aún voy a guardar un último vals para ti

No olvides guardar un último vals para mí

Uma Última Valsa

Quando minha cara não sair nos jornais
Nem os casais dançarem mais Noches de Boda
Quando eu só for notícia se cair de novo do palco
Quando o outono estiver muito maluco
Quando você jantar no bar do hospital
Quando os amigos ensaiarem as palavras que vão dizer no dia do meu funeral

Quando a orquestra não souber a canção que escrevi pra você
Quando as casas de apostas não derem um real por mim
Quando fecharem os bares e o louro da minha coroa for de espinhos
Ainda vou guardar uma última valsa pra você

Você, que correu para me resgatar das chamas
Você, que trouxe paz pra minha cidade sem lei
Você, que descobriu com meus eletrocardiogramas
Que faz tempo que não sou mais o rei

Eu, que sou faixa preta em pessimismo
Que gasto o salário em quatro copos
Que prefiro ser qualquer um a ser eu mesmo
Que prefiro ser um Zé Ninguém a ser um Don Juan

Quando a Lua se esconder pra não me ver sofrer
Quando, nas minhas noites de farra, nem o Leiva pedir um bis
E a neve estiver de luto, e as estrelas não aparecerem quando deveriam

Quando, em certas manhãs, eu nem conseguir me vestir
Desfolhando margaridas que nunca bem-me-querem
Quando as flores agonizarem e os pássaros sofrerem de amor
Não esqueça de guardar uma última valsa pra mim

Quando os cantores emudecerem por decreto
E os amantes fizerem greve geral
E os melhores alunos se formarem doutores com honras
Na arte de ignorar

Quando a orquestra não souber a canção que escrevi pra você
Quando as casas de apostas não derem um centavo por mim
Quando fecharem os bares e dançarem reggaeton no escritório
Ainda vou guardar uma última valsa pra você

Não esqueça de guardar uma última valsa pra mim

Composição: Joaquín Sabina / Benjamín Prado / Leiva