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Heranças

Joca Martins

Letra

    Está chovendo, eu mateio, no meu galpão de espinilho
    Alargo a mente de xirú andarilho e me perco a rememoriar
    De adonde veio esta ansiedade xucra de mudar de trilho
    E essa tendência braba de bandear rio cheio

    Está chorando a cordeona nos baixos e nas ilheiras
    E o mate amargo me fala de fronteiras, de lanças
    De clarins e de choronas, do meu destino de guardião
    Dessas bandeiras que foram glórias das querências chimarronas

    Pingo, cordeona e chuva, três heranças que não tem dono
    Nem sinal, nem marca, nem querência, nem comarca
    Mas são meus fletes de tropear lembranças

    Meu pingo está relinchando e se agrandam as retinas
    Das inquietudes de xirú brasinas
    Quando se lembra que viveu peleando
    De parceria com este irmão de crinas
    Hoje um pretexto pra morrer cantando!


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