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Terrorista da Caneta

Joe Sujera

Letra

    Nascido de sonhos, criado num mar de bitucas
    Em meio a muvuca, no ar que machuca
    Alguém te cutuca pra saber que horas são
    Na mente uma oração, com medo e receio
    Recebo olhar feio, sigo meu rumo e sinto o desprezo queimando a minha nuca
    Chutando latas vazias, não sou barata mas as veias frias
    Levam meu sangue passando por um coração onde o sentimento caduca
    Tava tranquilo, ninguém mandou abrir a jaula
    Não tinha um aviso dizendo que vivia um animal lá
    Então bom dia, traz uma fruta, pão e cachaça
    Que o tempo passa, chacoalho a carcaça e o sistema nervoso embala
    Osso por osso estala, estou pronto pra arena de novo
    Faixa preta em regular o foco, gira a roleta e vê se tem bala
    Fiz bem em guardar meus fantasmas, são linhas de um fino tecido
    Sustentam meu mundo, na porta dos fundos da mente, guiando navios perdidos
    Vou derrubando barreiras, juntando tijolos pra minha obra
    Matar leões é fácil, quero ver andar com as cobras

    Refrão 2x:
    Se cai na mira, risca, munição infinita, o pior terrorista, mudo pontos de vista
    Terrorista da caneta eu sou, terrorista da caneta eu sou

    Meu trato levanta teto, a pólvora faz convite em três minutos
    Desencapa o fio preto e respira, usa dinamite de charuto
    Entre a barba do Bin Laden, e a máscara do Bush
    Eu troco os cartuchos, já miro e puxo, guardo granada na bolsa de luxo
    Explosão que ninguém vê, mão fechada de quem crê
    100 pra ver, 1000 pra ter, a olheira sustenta o olho ja murcho
    o olho lá embaixo, o ombro no eixo, o fardo encaixa o peito no queixo
    Visível desleixo, estima de lixo, o feixe de luz ilumina uma faixa
    Que fecha o braço, completa o traje no luto desvia do beijo
    Mas o vento insiste, só tem ele em pé, movido pelo desejo
    Na cama me mecho, no quarto me fecho, pego a caneta e escrevo outro trecho
    A parede racha, ouço a marcha quando perfeito meu flow encaixa
    Mandraque não aguenta o baque, onde ele some minha casa é o Iraque
    Levanta e faz o saque, vira obstáculo pros ROCAM
    De café ja tomo um conhaque, alivio ouvindo um Tupac
    Desculpa, meu despertador grita bom dia Vietnam

    Refrão 2x:
    Se cai na mira, risca, munição infinita, o pior terrorista, mudo pontos de vista
    Terrorista da caneta eu sou, terrorista da caneta eu sou

    O galho que sobra sozinho no outono, raspa na janela roubando meu sono
    Atrapalha meu plano de como plantar as bombas no trompo
    Fiapos da blusa no chão, camurça mais velha que o vizinho velho
    Filho da puta que vara a madruga ouvindo cds do cazuza que droga ele usa
    Não sei, cansei dessa merda, volto pro fone
    A certeza de não ter um futuro impede de toda forma que eu me decepcione
    Tossindo fumaça no espelho, só rindo se for por gás hélio
    Usando as folhas da bíblia que falham pra fazer minhas rimas deixando de lado a navalha
    Toalha com rímel invisível por anos agora ela surge
    Faz companhia pra mim, pras baratas e pra ferrugem
    Contando com as nuvens pra que me deixem ver as estrelas
    Olhos não brilham mais, o que me resta é torcer pra ve-las
    Hoje não, fecha a persiana, volta pra cama
    Infensivo ou perigoso como a bituca jogada na grama
    Napoleão, Bin Laden, Cesar ou Gengis Khan
    Homem bomba com cinto de Bic, contra quem luta usando Mont Blanc

    Refrão 2x:
    Se cai na mira, risca, munição infinita, o pior terrorista, mudo pontos de vista
    Terrorista da caneta eu sou, terrorista da caneta eu sou


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