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Uma Estação no Inferno

Jorge Palma

Letra

    Folhas de outono, luas sem mel
    Esplendores e misérias do grande hotel
    Do Kamasutra às flores do mal
    Passos de anjo rumo ao destino final
    Ilhas fantasma, gaitas sem fole
    Os trópicos tristes jazem ao Sol
    Barcos sem leme nem capitão
    Homem zangado até pode ter razão
    Retiras dum engarrafamento sem avanço ou retorno
    Esbanjámos cada instante precioso como se fosse eterno
    Considerámos cada migrante apenas mais um trastorno
    E agora todos desfrutamos de uma estação no inferno
    Promessas escritas na maionese
    A espuma dos dias ao som do jazz
    Doses contadas, dinheiro na mão
    Olhares lascivos, noites de inquietação
    Deuses extintos pragam aos céus
    Mulheres destemidas rasgam os véus
    Criança cresce de arma na mão
    Criança morre, ninguém lhe pede perdão
    Decapitando a magna floresta para alimentar gado
    Divorciando nosso carácter dum instinto fraterno
    Envenenado o vasto oceano insultando o passado
    E agora vamos desfrutando de uma estação no inferno
    E agora juntos desfrutamos de uma estação no inferno


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