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As Mentiras

Jorge Velosa

Las Mentiras

Y 'horita que estamos sólos vamos a contar mentiras!
Qué hijue-maíz!

Y 'horita que estamos sólos vamos a contar mentiras
Yo vi-de volar un Wey y arar unas golondrinas
Pos si vos vi-tes ese Wey arar unas golondrinas
Yo también vi de una zorra juyéndole a las gallinas

Pu sí vos vites esa zorra. Yo también vi de un conejo
Enlazando cien nudillos con una cuarta de rejo
Si vos vites el conejo, yo también vi de un venado
Corriendo tras de los perros y ah jeróz pa' condenado

Si vos vítes el venado, yo también vi de una araña
Con su jacha y su machete derribando una montaña
Si vos vítes esa araña. Yo también vi de una hormiga
Arrastrándose una viga por una subida arriba

Pu si vos vítes esa hormiga, yo también vi de una guala
Colando su mazamorra en una mochila rala
Si vos vítes esa guala, yo vi de un ciego leyendo
Un mudo que echaba cantas y otro mudo repitiendo

Si eso fue lo que vos vítes, jágame el favor de oír
Que anoche a la media noche el Sol empezó a salir!
Si vítes salir el Sol anoche a la media noche
Yo vi de una mirla ayer encaramada en un toche

Pos si vos vítes esa mirla, yo vi de una mata de maíz
Sembrada por el cogollo y granada por la raíz
Sí vites la mata de máiz yo me vide fue un trigal
Que se trillaba sólito y se metía entre el costal

ESO NO ES NADA YO VÍDE! Una matica de ají
Que daba unas calabazas como de este porte así!
Si vítes esa de ají yo víde una mata de rosa
Con granadillas colgando y qué matica más curiosa

Pu si vítes la mata de rosa, yo también vi de un zancudo
Que de lo gordo que estaba quiso volar y no pudo
Si vítes ese zancudo y pa que no eche carreta
Víte ordeñar una vaca que le jaltaban las tetas

Si vos vítes esa vaca, yo también vi de un ternero
Más lanado que un marrano y más trompón que un cordero
Sí vos vítes el ternero, yo también vi de un caballo
Enlazando su jinete y ladrando como un gallo

Sí vítes ese caballo... Yo también vi de una ardilla
Parada junto al caballo y alcanzándole la silla... Aaay Dios!
Si vos vítes esa ardilla ahí le voy con otra mire
Yo vi del agua correr por una quebrada arriba

ESO NO ES NADA YO VÍDE! Un machete echando bala
Un revolver de ajilar y una barbera que hablaba
Par esa yo también víde esquilar unas ovejas
Con un azadón sin palo y quedaban bieen parejas

TAMPOCO ES NADA HOMBRE YO VÍDE! Una pulga con paperas
Un piojo que andaba cojo... Y una mosca con agrieras
Par esa yo también víde llorar una garrapata
Un cucarrón muerto de risa y un toro que era una vaca

Un chulo de color rrrojo, una paloma preñada
Y una casa sin paredes, sin puertas y sin ventanas
TAMPOCO ES NADA... YO VÍDE!
Un ratón corriendo un gato, un cien pies con una pata

Una ruana sin gollete, una esquina enderezada
Un corcho de puro plomo... Una piedra que jlotaba
Y como si juera poco... ... Una bolita cuadrada
Pos si vites lo que vites y yo vide lo que vide
Por hoy dejemos así na' pa' que no se nos olvide

As Mentiras

E agora que estamos sozinhos, vamos contar mentiras!
Que filho da mãe!

E agora que estamos sozinhos, vamos contar mentiras
Eu vi um cara voando e arando umas andorinhas
Se você viu esse cara arando umas andorinhas
Eu também vi uma raposa correndo atrás das galinhas

Se você viu essa raposa, eu também vi um coelho
Amarrando cem nós com uma corda de relógio
Se você viu o coelho, eu também vi um cervo
Correndo atrás dos cães e ah, que desgraça!

Se você viu o cervo, eu também vi uma aranha
Com seu facão e seu machado derrubando uma montanha
Se você viu essa aranha, eu também vi uma formiga
Arrastando uma viga por uma subida acima

Se você viu essa formiga, eu também vi uma mulher
Coando sua pamonha em uma mochila velha
Se você viu essa mulher, eu vi um cego lendo
Um mudo que estava cantando e outro mudo repetindo

Se foi isso que você viu, me faça o favor de ouvir
Que ontem à meia-noite o Sol começou a nascer!
Se você viu o Sol nascer ontem à meia-noite
Eu vi um pássaro ontem empoleirado em um galho

Se você viu esse pássaro, eu vi uma planta de milho
Plantada pela raiz e brotando pelo talo
Se você viu a planta de milho, eu vi um trigo
Que se debulhava sozinho e se metia no saco

ISSO NÃO É NADA, EU VI! Uma pimentinha
Que dava umas abóboras desse tamanho assim!
Se você viu essa pimentinha, eu vi uma roseira
Com maracujás pendurados, que planta mais curiosa

Se você viu a roseira, eu também vi um mosquito
Que de tão gordo que estava, quis voar e não conseguiu
Se você viu esse mosquito e pra não ficar de conversa
Vi alguém ordenhando uma vaca que estava estourando

Se você viu essa vaca, eu também vi um bezerro
Mais peludo que um porco e mais trombudo que um cordeiro
Se você viu o bezerro, eu também vi um cavalo
Amarrando seu cavaleiro e latindo como um galo

Se você viu esse cavalo... Eu também vi uma esquila
Parada ao lado do cavalo e alcançando a sela... Ai, Deus!
Se você viu essa esquila, lá vai outra, olha
Eu vi a água correndo por um riacho acima

ISSO NÃO É NADA, EU VI! Um facão disparando
Um revólver de brinquedo e uma barbearia que falava
Pra essa eu também vi tosquiando umas ovelhas
Com uma enxada sem cabo e ficavam bem parecidas

TAMBÉM NÃO É NADA, HOMEM, EU VI! Uma pulga com caxumba
Um piolho mancando... E uma mosca com feridas
Pra essa eu também vi uma carrapato chorando
Um besouro morto de rir e um touro que era uma vaca

Um galo de cor vermelha, uma pomba prenha
E uma casa sem paredes, sem portas e sem janelas
TAMBÉM NÃO É NADA... EU VI!
Um rato correndo de um gato, um centopeia com uma pata

Uma roupa sem gola, uma esquina endireitada
Uma rolha de puro chumbo... Uma pedra que pulava
E como se não bastasse... ... Uma bolinha quadrada
Pois se você viu o que viu e eu vi o que vi
Por hoje vamos deixar assim pra não esquecermos

Composição: Jorge Velosa