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Ronda Das Mafarricas

José Afonso

Crítica política e humor sombrio em “Ronda Das Mafarricas”

Em “Ronda Das Mafarricas”, José Afonso utiliza personagens folclóricos como “quatrocentas bruxas” e o “chibo velho” para construir uma crítica política disfarçada ao regime ditatorial português e, de forma indireta, ao golpe fascista na Grécia em 1967. A expressão “quatrocentas bruxas” pode ser interpretada como uma referência aos quatrocentos coronéis gregos, enquanto o “chibo velho” representa uma figura de autoridade decadente. Ao recorrer a elementos fantásticos, rituais pagãos e sílabas inventadas, Afonso consegue mascarar sua mensagem subversiva, driblando a censura e criando um clima de estranheza e humor sombrio.

A letra descreve uma ronda noturna em que as “bruxas” aguardam a lua cheia, símbolo de transformação e mistério. O “chibo velho” dança no adro, e sua presença está ligada à morte de alguém, sugerindo o impacto negativo do poder opressor. O personagem Arlindo, o coveiro, é chamado repetidamente para cavar a “morada” (túmulo), o que mistura resignação e ironia diante da morte. Essa morte pode ser entendida tanto de forma literal quanto como metáfora para o desejo de enterrar o velho regime. O tom da música brinca com o macabro, mas revela uma crítica social e política, usando o humor sombrio para abordar temas de repressão e esperança de mudança.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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