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Carreira a Moda Antiga

José Amilcar Ferreira

Letra

    Quem é vivo ainda se lembra da história que vou contar
    D’uma festa muito antiga na costa do vacaiquá
    Mas pra quem é bem mais novo deixo aqui o meu relato
    Quem foi nunca se esqueceu, tudo isso aconteceu
    E lhes garanto que é fato

    Tava lindo o domingo, daqueles de primavera
    O sol despontou faceiro por detrás de uma tapera
    Tinha gente acampada de barraca e de lonão
    Era cedo cinco e pico e eu debaixo de um angico
    Já tomava um chimarrão

    Os anfitriões da festa, que pessoas, minha nossa
    Don Luciano e Don Fabiano da família Espinosa
    Vinha gente da cidade, da Música e Ibicuí
    Outros da encruzilhada, das Três Vendas terra amada
    E do Upacaraí

    Mas carreira que se preze tem que ter carteado grosso
    Uma copa bem sortida e também jogo de osso
    Foi ali que eu encontrei um Cardoso meu parente
    Que depois das “cangibrina” saiu de “cola e quilina”
    Pras casas batendo dente

    Na volta do meio dia era grande o alvoroço
    Uns não largavam o baralho nem na hora do almoço
    Galinhada, carne frita, churrasco e muita salada
    Era assim ainda lembro, bem no meio de novembro
    Numa tarde ensolarada

    Bueno “vamo” ao que interessa, o assunto principal
    Tava quase bem na hora conforme deu no jornal
    Muitos ainda chegavam pra não perder o embate
    O relógio não parava e o locutor anunciava
    - Vai começar o remate

    Eram cavalos crioulos que nunca tinham corrido
    Até um guri magrinho pra jockey foi promovido
    Um rosilho, um lobuno e uma picaça ligeira
    Que na apresentação me chamou mais atenção
    Do que a moça na porteira

    Tudo certo e preparado pra cancha todos seguiram
    Somente um gordo borracho dormia, nem sei se viram
    A parada tava forte ninguém se mixou pros “cobre”
    E um taura com tom de graça gritava: - Pego a picaça
    Dou luz, o grupo e dou dobre

    -Se vieram, gritou um “véio” em “riba” d’uma caminhoneta
    Coisa mais linda que existe é uma carreira em cancha reta
    Do outro lado do alambrado um picaço parecia
    Que estava retoçando, acho que tava lembrando
    Do tempo que ele corria

    Lá pelos duzentos metros bem onde eu botava o pé
    Passou por mim a picaça e o guri, rebenque em pé
    É lindo voltar no tempo lembrando de gente amiga
    Assim termina essa história mas ficará na memória
    A carreira à moda antiga


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