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Bandoneão

José González Castillo

Bandoneón

¡Bandoneón!...
Que lanzás al viento
por tus cien heridas
tu eterno lamento,
y que en cada aliento
renovás cien vidas
¡pa' gemir mejor!...
¡Sangrando armonías
o llorando quedo,
sos el fiel remedo
de mi propio amor!

Cuando se hinchan tus pulmones
para volcar en mil sones
el alma de tu armonía,
¡me parece la mía
tu doliente canción!...

Y te oprimo entre mis brazos
para arrancarla a pedazos
en una queja postrera,
¡como si en vos gimiera
mi propio corazón!...

¡Corazón!...
Que lanzás al viento
con cada suspiro
el hondo lamento
de tu sentimiento,
y en cada respiro
crece tu emoción...
Cuando en la tristeza
tu canción se abisma,
¡sos el alma misma
de mi bandoneón!...

Bandoneão

¡Bandoneão!...
Que você solta ao vento
por suas cem feridas
seu lamento eterno,
e que a cada suspiro
renova cem vidas
¡pra gemer melhor!...
¡Sangrando harmonias
ou chorando manso,
você é o fiel remédio
do meu próprio amor!

Quando seus pulmões se enchem
para despejar em mil sons
a alma da sua harmonia,
¡me parece a minha
sua canção dolorida!...

E te aperto entre meus braços
para arrancá-la em pedaços
em um último lamento,
¡como se em você gemesse
meu próprio coração!...

¡Coração!...
Que você solta ao vento
com cada suspiro
o profundo lamento
do seu sentimento,
e a cada respiração
cresce sua emoção...
Quando na tristeza
sua canção se afunda,
¡você é a própria alma
do meu bandoneão!...