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Arreando La Tropilla de La Nada

José Larralde

Letra

Arreando a Turma da Inércia

Arreando La Tropilla de La Nada

Jeito bobo de buscar palavrasManera zonza de buscar palabras
Fingindo e desviandoEchando disimulos y esquivadas
Sobre uma porção de coisas certasSobre una cantidad de cosas ciertas
Contra uma porção de coisas vãsContra una cantidad de cosas vana

Jeito bobo de querer me enganarManera zonza de querer fingirme
Sorrisos de dentes afiados a todo momentoSonrisas de colmillo a cada rato
Achando que me pegam pelo olharCreyendo que me entran por el ojo
Sem perceber que já tô meio cegoSin darse cuenta que ya estoy chicato

Que já nem vejo de onde vem o ventoQue ya ni miro de donde viene el viento
Nem se é de noite, nem se tá clareandoNi si es de noche, ni si está aclarando
Jeito bobo de passar assobiandoManera zonza de pasar chiflando
Pra fazer barulho e escutá-loPa' conformar un ruido y escucharlo

Assim se encurtam as esperas e de quebra espantam os urubusAnsina se acortan la esperas y de paso se espantan los caranchos
Jeito de trazer uma esperança pra quemManera de arrimar una esperanza pa' quien
Vai acordar de uma vezSe habrá de día de una boqueada
Montando o parelho de uma nuvemMontando el parejero de una nube

E arreando a turma da inérciaY arriando la tropilla de la nada
Não me diga mais nada de nadaNo me vuelva a decir nada de nada
Pare de engolir raivaDeje nomás de andar tragando rabia
Que não vai aliviar fazendo tempestadeQue no me va a aliviar haciendo remolino

Como um filhote em vaca podreComo cachorro en vaca agusanada
Não tenha medo, amigo, tudo passaNo tenga miedo amigo, todo pasa
Deus dá o tempo certo pra cada coisaDon Dio da justo el tiempo a cada cosa
Não há arranjo que não se desfaça um diaNo hay acomodo que le refale un día

De toda a criação, a mais linda, a igualdadeDe toda la creación, la más hermosa, la igualdad
Pra cima e pra baixoPa' l de arriba y pa' l de abajo
Não há diferença entre barro e azulejoNo hay diferencia entre terrón y loza
Não tenha medo, amigo, já é um homemNo tenga miedo amigo ya es un hombre

Que não digam que tremeu a queixoQue no digan que le tembló la pera
No fim das contas, viveu até morrerAl fin y al cabo vía a morir vivido
E saiba, meu filho, que isso não é bobagemY sepa m' hijo que eso no es zoncera
Amontoar costume por dentroAmontonar costumbre por adentro

Não é igual a envelhecer por foraNo es igual que aviejarse por afuera
Tenho muitas lembranças que respiramTengo mucho recuerdo que respira
E muitas outras que serão meu retornoY muchos otros que serán mi vuelta
Quando o canto de algum canário do campoCuando el vuelo de algún jilguero pampa

Parar na idade de uma cumeeiraSe detenga en la edad de una cumbrera
E faça soar o bico contra o peitoY haga sonar el pico contra el pecho
Da mesma grama que me esperaDe la misma gramilla que me espera
Tenho muitas lembranças pra me lembrarTengo muchos recuerdos pa' acordarme

E muitas outras que já são esquecimentoY muchos otros que ya son olvido
Talvez dos primeiros não me lembreTal vez de los primeros no me acuerde
E dos outros, dos outros me lembrei ao vivê-losY de los otros, de los otro me acordé al vivirlo
Nem vale a pena contar, alguns têmNo vale ni la pena echar la cuenta alguno tiene

E outros já tiveramY otros han tenido
O que posso pedir por vontades ao céuQue le puedo pedir por voluntades al cielo
Sarcástico dos desígniosSocarrón de los designios
Se tenho o que tive e levo comigoSi tengo lo que tuve y me lo llevo

O mais lindo de viver comigoLo más hermoso de vivir conmigo
A vida dos outros que viveramLa vida de los otros que vivieron
Com os mesmos perdões e castigosCon los mismos perdones y castigos
Sem mais problema que dizer que ficoSin más problema que decir me quedo

No mesmo confim em que nasciEn el mismo confín en que he nacido
Ninguém pode me elevar sobre outra estrelaNadie me puede alzar sobre otra estrella
Que não seja do mundo em que viviQue no sea del mundo en que he vivido
O que mais posso pedir por vontadesQue más puedo pedir por voluntades

E por ser voluntário vai comigoY por ser voluntario va conmigo
Enquanto eu aguentar um sopro, o peso do tempoMientras me aguante un soplo, el percherón del tiempo
Não tenha medo, meu filho, que me alcançaNo tenga miedo m' hijo que me alcanza
Pra dar um quero fechado ao que faltaPa' darle un quiero cerrado a lo que falta

Sem me estressar com a cor do baralhoSin calentarme el color de la baraja
Não trema, garotoNo me tiemble muchacho
Que quem treme, costuma fazer da vida um caixãoQue el que tiembla, suele hacer de la vida una mortaja
Nasce macho, vive e termina macho e meioSe nace macho, se vive y se termina macho y medio
Se for preciso entre a merdaSi es preciso entre la caca


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