Cimbreando
Si una vez pedí permiso...
si una vez pedí permiso esta vez no viá a pedir nada
cansado de saltar pialada me he hecho medio escurridizo
no se si será preciso que explique mi situación
no se si será cuestión de afilar el desembuche
pero se que el que me escuche me prestará su atención.
Todo aquel que alguna vez
me escucho con sentimiento
sabe bien que no le miento y que no doy de revés
naide me ha visto de juez pues me falta autoridá
pero no puedo callar lo que naides debería
la jeta que tengo es mía y me la han hecho para hablar
Disgraciado el que se calla
pobrecito el silencioso
que castigo doloroso cuando la vergüenza falla
quien tiene que muestre agalla y me diga que no es cierto
que el vivo que vive muerto aferrado a su tembleque
siempre espera que se seque para ira agregar el huerto
Quien tenga mejor razón que vomite el desengaño
no viví juntando año pa´ hacerme burro osobón
Dios me ha dado un corazón y por rispeto al regalo
con diente palo o uña defenderé su postura
yo se que me sobra achura pa´ empachar a mas de un malo
soy amigo del que quiera pero no me den manija
el que guste que me elija y el que no me deje ajuera
no nací pa´ ser cumbrera pues me gusta ser orcón
y como soy el patrón de mi propia voluntá
quiero estar donde hay que estar vomitando mi opinión
Tan solo le pido a Dios
como gauchada final
que me deje con mi mal de poder alzar la voz
yo que he sido domador, pion de a pie y hasta hachador,
resero de lo mejor y hasta me prendí al arao
solo me queda el tostao y el recadito cantor
Todo por no asosegar
ni la palabra ni el gesto
porque nunca hallé pretesto pa´ que me quieran prepiar
porque no supe callar lo que callar no debía
porque fue la vida mía arriador pa´ l atropello
hoy solo tengo el risueyo y esta tristeza tan fría
Porque no di la liberta pa´ engordar al candidato
porquen nunca fui barato ni me compraron la jeta
porque no fui gallareta que se escuende en el juncal
porque ante el bien o ante el mal yo siempre puse la cara
hoy tengo la idea clara pero grande el chiripá
Por eso no tengo un perro que me ladre la osamenta
porque nunca me hice cuenta ni de lata ni de fierro
tengo razón y no le erro cuando digo que el derecho
empieza donde arranca el pecho y termina en el bolsillo
no tiene ni calzoncillo quien siempre encara el repecho
No es lo mismo el montón lerdo
que el montón hecho de apuro
el lerdo es el mas seguro el otro hecha olor a cerdo
cuando digo esto me muerdo porque siempre elegí el mas lerdo
y me quede con el cuento de migran filosofía
las cosas que yo creía se las ha llevao el viento
Hoy pienso en la humanidá
igual que ayer y mañana
se va muriendo con ganas de llegar a la verdá
se que no es casualidá que el hombre viva amargado
embuchando un entripao producto de su inocencia
unos le llaman paciencia y yo tiempo mal gastado
Con rispeto a la razón, alguna se que le acierto
tocar el cielo de murto no es ninguna solución
conozco a mas de un varón que se adormece entre palma
hechas con las pobres alma de los difunto en vida
suelen ser las mas podridas las aguas que están mas calmas
Corazón que tiene pena puede legara extraviarse
como la pava volcarse si al hervir esta muy llena
lleva la misma condena el clavo que la madera
una se hincha pa´ ajuera y el otro pierde su brillo
y el que goza es el martillo cuando se ciembra y golpea
Cosa que aprendí de viejo
antes de llegar a serlo
una de mirar y verlo, otras de mi propio espejo
cosas que no son consejo ni siquiera comentario
lo mesmito que un rosario cuenta que naide las reza
pero niebla su cabeza con su cruces y calvario
Aunque he vivido a los saltos no viví sobresaltado
a las cosas que he pasado ni les suebro ni les falto
nunca quise volar alto siempre volé a lo perdido
ansí contemplé el matiz de la vida y sus porfía
las cosa que no sabía las supe por la raíz
Volar alto es la grandeza
pa´ los que van de aguilucho
pero el hombre ha de ser ducho pa´ no enturbiar la cabeza
yo me aferré a la riqueza de andar cerquita del suelo
una tranquiada ni un vuelo ni cansa ni perjudica
la tierra es grande o es chica de acuerdo con los anhelos
Y aquí estoy ni mas ni menos con lo que Dios me ofreció
el hombre siempre vivió entro lo malo y lo bueno
algunos mascan el freno otros viven cabestreando
otros por andar cediendo terminan en mortadela
y yo soy burro de escuela y me la paso patiando
Pero no dejo de ser
apenas un pobre criollo
y si una vez fui pimpollo ya de dentrado a envejecer
los año se dejan ver sin cuzco que los espante
siempre marchan adelante y por más que el hombre avance
no hay almanaque que alcance, ni crestiano que lo aguante
Sin embargo y a pesar de tanta potencia junta
me he quedao con una punta que no me podrán quitar
me han ayudado a pensar a observar y a preguntarme
quien ha podido cambiarme, quien me ha podido torcer
conciente de mi deber ya nada puede asustarme
No me gusta oír excusas
porque no soy confesor
tan solo soy decidor sin fusa ni semifusa
vivo sacando pelusas del rincón de los olvido
si sufro por ser sufrido soñador de la justicia
peleo por la delicia de no vivir sometido
Cimbreando
Se uma vez pedi permissão...
se uma vez pedi permissão, dessa vez não vou pedir nada
cansado de pular cercado, me tornei meio escorregadio
não sei se é preciso explicar minha situação
não sei se é questão de afiar a língua
ainda assim, sei que quem me escuta me dará atenção.
Todo aquele que alguma vez
me ouviu com sentimento
sabe bem que não minto e que não dou pra trás
ninguém me viu de juiz, pois me falta autoridade
mas não posso calar o que ninguém deveria
minha boca é minha e foi feita pra falar.
Desgraçado é quem se cala,
pobrezinho o silencioso,
que castigo doloroso quando a vergonha falha.
Quem tem que mostrar coragem e me dizer que não é verdade
que o vivo que vive morto, agarrado ao seu tremor,
sempre espera que seque pra ir agregar o pomar.
Quem tiver melhor razão que vomite o desencanto
não vivi juntando anos pra me fazer de bobo.
Deus me deu um coração e por respeito ao presente
com dente de pau ou unha defenderei sua postura.
Eu sei que me sobra coragem pra encher a paciência de um mau,
sou amigo de quem quiser, mas não me dê corda,
quem quiser que me escolha e quem não quiser me deixe fora.
Não nasci pra ser cumbrera, pois gosto de ser orcão
e como sou o patrão da minha própria vontade,
quero estar onde é preciso, vomitando minha opinião.
Só peço a Deus,
como um favor final,
que me deixe com meu mal de poder levantar a voz.
Eu que fui domador, peão de pé e até lenhador,
resero do melhor e até me prendi ao arado,
só me resta o tostado e o recadinho cantor.
Tudo por não sossegar
nem a palavra nem o gesto,
porque nunca encontrei pretexto pra que queiram me calar,
porque não soube calar o que calar não devia,
porque foi a minha vida um arrastão pro atropelo.
Hoje só tenho o sorriso e essa tristeza tão fria.
Porque não dei a liberdade pra engordar o candidato,
porque nunca fui barato nem me compraram a boca,
porque não fui gallareta que se esconde no juncal,
porque diante do bem ou do mal, sempre pus a cara.
Hoje tenho a ideia clara, mas grande o chiripá.
Por isso não tenho um cachorro que me ladre a osamenta,
porque nunca me fiz conta nem de lata nem de ferro.
Tenho razão e não erro quando digo que o direito
começa onde arranca o peito e termina no bolso.
Não tem nem calçola quem sempre encara a ladeira.
Não é a mesma coisa o monte lerdo
que o monte feito às pressas,
o lerdo é o mais seguro, o outro exala cheiro de porco.
Quando digo isso me mordo, porque sempre escolhi o mais lerdo
e fiquei com o conto da migrante filosofia.
As coisas que eu acreditava, o vento levou.
Hoje penso na humanidade
igual a ontem e amanhã,
vai morrendo com vontade de chegar à verdade.
Sei que não é casualidade que o homem viva amargurado,
engolindo um entripado produto de sua inocência.
Uns chamam de paciência e eu de tempo mal gasto.
Com respeito à razão, algumas acerto,
tocar o céu de morto não é nenhuma solução.
Conheço mais de um varão que se adormece entre palmas,
feitas com as pobres almas dos defuntos em vida.
Costumam ser as mais podres as águas que estão mais calmas.
Coração que tem pena pode acabar se perdendo,
como a pava se virar se ao ferver está muito cheia.
Leva a mesma condena o prego que a madeira,
uma se incha pra fora e a outra perde seu brilho.
E quem goza é o martelo quando se semeia e golpeia.
Coisa que aprendi de velho
antes de chegar a ser,
uma de olhar e ver, outras do meu próprio espelho.
Coisas que não são conselho, nem sequer comentário,
o mesmo que um rosário conta que ninguém as reza,
mas neblina sua cabeça com suas cruzes e calvário.
Embora tenha vivido aos saltos, não vivi sobressaltado,
aquelas coisas que passei, nem lhes sobra nem lhes falta.
Nunca quis voar alto, sempre voei ao perdido,
ansiei contemplar o matiz da vida e suas brigas.
As coisas que não sabia, as soube pela raiz.
Voar alto é a grandeza
pra quem vai de aguilucho,
mas o homem deve ser astuto pra não turvar a cabeça.
Eu me agarrei à riqueza de andar pertinho do chão,
uma tranquilidade nem um voo nem cansa nem prejudica.
A terra é grande ou é pequena de acordo com os anseios.
E aqui estou, nem mais nem menos, com o que Deus me ofereceu,
o homem sempre viveu entre o mal e o bem.
Alguns mordem o freio, outros vivem puxando,
outros por andar cedendo terminam em mortadela.
E eu sou burro de escola e me passo chutando.
Mas não deixo de ser
apenas um pobre criollo,
e se uma vez fui pimpollo, já estou entrando em envelhecer.
Os anos se deixam ver sem cusco que os espante,
sempre marcham adiante e por mais que o homem avance,
não há calendário que alcance, nem cristão que o aguente.
No entanto, e apesar de tanta potência junta,
me fiquei com uma ponta que não me poderão tirar.
Me ajudaram a pensar, a observar e a me perguntar
quem pôde me mudar, quem me pôde torcer.
Consciente do meu dever, já nada pode me assustar.
Não gosto de ouvir desculpas
porque não sou confessor,
tão só sou falador sem fusa nem semifusa.
Vivo tirando pelusas do canto do esquecimento,
se sofro por ser sofrido, sonhador da justiça,
luto pela delícia de não viver submetido.