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Estou Indo Embora

José Larralde

Me Voy Del Pago Me Dijo

Me voy del pago me dijo
Acá hay tiempo pa hacer nada
Lo que junté en estos años
Es no tener esperanzas

Quisiera que este disgusto
Que le atrancó en la garganta
Trate de disimularlo
Y no se lo pase a mama

Ella está desde hace tiempo
Sabiendo lo que me abraza
Y cada vez que me habla
Pone miel en la palabra

Ella tiene la costumbre
De adivinar lo que pasa
Cuando me ve pensativo
O cuando esquivo mirarla

Sabe que tiro las riendas
Tan solo pa no dejarla
Y hay un ruego en las coyundas
De sus manos apretadas

Que me dicen en silencio
Niño mío, ¡no te vayas!
Y se le seca la boca
Y se le yelan las lágrimas

La he visto rozar mis pilchas
Con su dedito de plata
Y apretar contra su pecho
Aquella camisa blanca

Que me hizo pa los domingos
Mientras con usté matiaba
¡Cada botón era un beso
Pa'l ojal de mis mañanas!

Yo sé que ella está sabiendo
Desde hace rato mis ansias
De rumbiar pa cualquier parte
Ande sacarme las ganas

De ver que hay en otro lao
De hallar trabajo y cansarlas
A estas manos que tan solo
De cortar yuyos se encayan

¡Me voy del pago!, me dijo
Y me revolqué en la rabia
De acordarme de aquel día
¡Que yo me fui de las casas!

También como en esta vez
No cantaba la calandria
Y la tarde tenía augeros
Como tordos en bandadas

Fue un rojo día de enero
Donde el Sol se transformaba
En poncho de aire y de fuego
Ande ardían las chicharras

Yo no tenía caballo
Me fui patiando las ramas
Que caían a la orillita
De un viejo sauce sin agua

Y cuando miré pa atrás
Ya no vi ni las acacias
Ni el sauce ande alguna vez
Desperecé una guitarra

Me voy, dije yo también
Igual, el tono y las ansias
De quedarme un poco más
Igual que él, Igual quel Tata

La vida pega la vuelta
Redonda y disimulada
Hasta el último ¡me voy!
¡Que nada sirve pa nada!

Me voy del pago! me dijo
Y me revolqué en la rabia
De acordarme de aquel día
¡Que yo me fui de las casas!

Estou Indo Embora

Estou deixando o pagamento que ele me disse
Há tempo para não fazer nada aqui
O que eu colecionei nesses anos
Não é ter esperança

Eu gostaria desse desprazer
Que ficou preso na garganta
Tente esconder isso
E não passe para a mamãe

Ela está lá há muito tempo
Sabendo o que me abraça
E toda vez que ele fala comigo
Coloque mel na palavra

Ela tem o hábito
Para adivinhar o que acontece
Quando ele me vê pensativo
Ou quando evito olhar para ela

Ele sabe que estou entregando as rédeas
Só pra eu não deixar ela
E há um apelo nos jugos
De suas mãos cerradas

O que me dizem em silêncio
Meu filho, não vá!
E sua boca fica seca
E suas lágrimas correm frias

Eu a vi roçar em minhas roupas
Com seu dedo prateado
E pressione contra seu peito
Aquela camisa branca

O que você fez por mim aos domingos?
Enquanto eu estava te matando
Cada botão era um beijo
Pelo bem das minhas manhãs!

Eu sei que ela está sabendo
Já faz um tempo que meus desejos
Para ir a qualquer lugar
E tire meus desejos

Para ver o que tem do outro lado
Encontrar trabalho e cansá-los
Para essas mãos que só
De cortar ervas daninhas eles ficam presos

Vou deixar o pagamento! ele me disse
E eu me afundei na raiva
Para lembrar daquele dia
Saí de casa!

Também como desta vez
A cotovia não cantou
E a tarde teve presságios
Como tordos em bandos

Era um dia vermelho de janeiro
Onde o Sol foi transformado
Em um poncho de ar e fogo
Onde as cigarras queimavam

Eu não tinha um cavalo
Eu fui chutando os galhos
Que caiu no limite
De um velho salgueiro sem água

E quando olhei para trás
Eu nem vi mais as acácias
Nem o salgueiro anda nunca
Acordei uma guitarra

Estou indo embora, eu disse também
O mesmo, o tom e a ânsia
Para ficar um pouco mais
Assim como ele, assim como Tata

A vida muda
Redondo e oculto
Até a última eu vou embora!
Que nada serve para nada!

Estou deixando o pagamento! me disse
E eu me afundei na raiva
Para lembrar daquele dia
Saí de casa!

Composição: