395px

Meu Livro de Outono

José Larralde

Mi Libro de Otoño

Mi libro de otoño,
mi libro de otoño
transita el silencio
de algún pensamiento
cuando estoy conmigo
bebido de tiempo
y en el horizonte
frontal del espejo
rebota la frente
de mis años viejos
y mis años nuevos,
y el prólogo eterno,
inconcluso y cierto
suspende un momento
la letra redonda
y transita el sueño
de páginas hondas
crecidas de anhelos,
estíos y cierzos.

Es una paloma
de papel cuaderno
mi libro de otoño,
callado y austero.

Mi libro de otoño
marca mi destierro
de las arrogancias
de todo lo incierto,
de las falsedades,
de los desalientos,
de la muerte oscura
de quien roba cielos
sin ver que de abajo
se aprecia el lucero.

Mi libro de otoño
es hermoso y lento;
historias humildes,
aves sin encierro,
dolores que pasan
sin odas ni premios,
sin odios marrones
que opacan el cedro
de los que se alejan
epílogo adentro.

Mi libro de otoño
transita el silencio
de mi pensamiento
cuando estoy conmigo
bebido de tiempo.

Quiero que lo leas,
no es simple, lo entiendo,
te dará en la cara
todo el sol de enero
lastimado el aire,
penderá en rocío
para que tus ojos
brillen al leerlo.

Mi libro de otoño,
todo lo que tengo,
humilde paloma de papel cuaderno,
callado y austero.

Tiene una carilla
con un punto al centro;
la dejé ex profeso
para que tu mano,
o quizá tu beso
le escriba las letras
de todo mi tiempo.

Mi libro de otoño,
mi libro de otoño
cerrará con eso.

Meu Livro de Outono

Meu livro de outono,
meu livro de outono
transita o silêncio
de algum pensamento
quando estou comigo
embriagado de tempo
e no horizonte
frontal do espelho
rebota a testa
dos meus anos velhos
e meus anos novos,
e o prólogo eterno,
inconcluso e certo
suspende um momento
a letra redonda
e transita o sonho
de páginas profundas
crescidas de anseios,
verões e ventos.

É uma pomba
de papel caderno
meu livro de outono,
calado e austero.

Meu livro de outono
marca meu desterro
das arrogâncias
de tudo que é incerto,
das falsidades,
dos desânimos,
da morte escura
de quem rouba céus
sem ver que de baixo
se aprecia o brilho.

Meu livro de outono
é lindo e lento;
histórias humildes,
aves sem prisão,
dores que passam
sem odas nem prêmios,
sans rancores
que ofuscam o cedro
dos que se afastam
epílogo adentro.

Meu livro de outono
transita o silêncio
do meu pensamento
quando estou comigo
embriagado de tempo.

Quero que você leia,
não é simples, eu entendo,
te dará na cara
todo o sol de janeiro
ferido o ar,
penderá em orvalho
para que seus olhos
brilhem ao lê-lo.

Meu livro de outono,
tudo que eu tenho,
humilde pomba de papel caderno,
calado e austero.

Tem uma capa
com um ponto no centro;
deixei de propósito
para que sua mão,
ou talvez seu beijo
escreva as letras
de todo o meu tempo.

Meu livro de outono,
meu livro de outono
fechará com isso.

Composição: