Yo Tambien
Soy la sombra de un perro que no existe
y que tal vez de existir no fuera perro.
Pero soy animal que calza y viste
y ladro por la luna de mi encierro.
Soy la sombra de un perro sin cadenas
que muerde la atadura que analiza
por la cuerda lastrante de mis venas vierto la luz
pero mi fe agoniza.
Busco el abismo de mi sombra flaca
y al ras de la corteza de mi cuero
aúlla el perro que no soy ni existe
por la sombra que alumbra mi sendero.
Quien tuene mas razón que el perro
cuando ladra solito
pa´ que ladrar entre un montón de perros
si lo tapan los gritos
de allí aprendí a ladrar solo mis penas
y a morir despacito
si no se muere no se aprende nada
ni el porque del ladrido
Por el motivo solo de morirse
es que vale la vida
el hombre cincha y sufre hasta podrirse
por razón conocida y apenas llega a comprender que es nanda
como Dios se cotiza
pa´ no perder la suerte de morir despacio
se deshace de prisa
razón pa´ ser razón de no hacer falta
donde suebran razones
servir pa´ no servir ni pa´ dar rabia
manejao a empujones
y apenas llega comprender que existe como Dios da escarmiento
pa´ no pinchar el ojo de la historia la emparcha un monumento.
Eu Também
Sou a sombra de um cachorro que não existe
E que talvez, se existisse, não fosse cachorro.
Mas sou um animal que calça e se veste
E eu ladro pela lua do meu aprisionamento.
Sou a sombra de um cachorro sem correntes
Que morde a atadura que analisa
Pela corda pesada das minhas veias, eu derramo a luz
Mas minha fé agoniza.
Busco o abismo da minha sombra magra
E ao ras da pele do meu couro
Uiva o cachorro que não sou nem existe
Pela sombra que ilumina meu caminho.
Quem tem mais razão que o cachorro
Quando ladra sozinho
Pra que ladrar entre um monte de cachorros
Se os gritos abafam tudo?
Daí aprendi a ladrar só minhas dores
E a morrer devagar
Se não se morre, não se aprende nada
Nem o porquê do ladrido.
Pelo motivo só de morrer
É que a vida vale a pena
O homem se aperta e sofre até apodrecer
Por razão conhecida e mal consegue entender que é nada
Como Deus se valoriza
Pra não perder a sorte de morrer devagar
Se desfaz rápido.
Razão pra ser razão de não fazer falta
Onde sobram razões
Servir pra não servir nem pra dar raiva
Empurrado a empurrões
E mal consegue entender que existe como Deus dá lição
Pra não furar o olho da história, a emenda é um monumento.