
O Corpo É Meu
Joyce Cândido
Trancaram meu riso cerraram meus olhos
Roubaram da boca o direito de ser
No fio da lâmina no peso do aço
Tentaram calar o prazer de viver
Diziam: É ordem, é cultura, é costume
É pelo bem de quem nem perguntou
Mas eu, com meu sangue, com minha fome
Cantei mais forte que a dor que ficou
O corpo é meu, não é de ninguém
Nem do pai, nem do santo, nem do capitão
Não se vende, não se doma, não se corta também
O corpo é inteiro, é alma e é chão
Rasgavam meu nome nas páginas velhas
E em nome de Deus me mandavam calar
Mas a minha memória é forjada em centelhas
E o fogo da história não vai se apagar
Não há tradição que amanse a verdade
Nem há ferro quente que possa deter a mulher
Que sabe que ser liberdade é nascer de novo a cada amanhecer
O corpo é meu, não é de ninguém
Nem do pai, nem do santo, nem do capitão
Não se vende, não se doma, não se corta também
O corpo é inteiro, é alma e é chão
O corpo é meu é meu é meu



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