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Mentem

Juan Carlos Baglietto

Mienten

Mienten
El amarillo sol sobre mi frente
El hijo azul que prospera en tu vientre
La vida se detuvo hace tiempo
Y de repente
Mienten
La sonrisa del adolescente
Las pretenciones de los pretendientes
Miente el feliz reflejo en el espejo
De la gente

Y mienten
Quien dice que no es urgente
Porque el fantasma del hambre
Se aparece entre mi gente
Y no me puedo enderezar
Y estoy parado
Naci para trabajar, naci para trabajar
Y no hay trabajo

Mienten
Esa agonia sobre mi pecho verde
La mala racha de un hombre valiente
Las cuatro puñaladas de esos cuatro
Delincuentes

Mienten
Yo te iba a dar lo que tu me pidieses
Que no soy yo quien merece perderte
Con lo que te he buscado amor mio
No me dejes

Y mienten
Que nadie se llame a engaño
Han marcado la baraja
Y me han robado la suerte
Y no me puedo enderezar
Y estoy parado
Naci para trabajar, naci para trabajar
Y no hay trabajo

Mentem

Mentem
O sol amarelo sobre minha testa
O filho azul que cresce em seu ventre
A vida parou há muito tempo
E de repente
Mentem
O sorriso do adolescente
As intenções dos pretendentes
Mente o feliz reflexo no espelho
Das pessoas

E mentem
Quem diz que não é urgente
Porque o fantasma da fome
Aparece entre meu povo
E não consigo me endireitar
E estou parado
Nasci pra trabalhar, nasci pra trabalhar
E não há trabalho

Mentem
Essa agonia sobre meu peito verde
A maré ruim de um homem valente
As quatro facadas daqueles quatro
Delinquentes

Mentem
Eu ia te dar o que você pedisse
Que não sou eu quem merece te perder
Com o quanto eu te procurei, meu amor
Não me deixe

E mentem
Que ninguém se engane
Marcaram as cartas
E me roubaram a sorte
E não consigo me endireitar
E estou parado
Nasci pra trabalhar, nasci pra trabalhar
E não há trabalho

Composição: Roque Narvaja