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Trompetistas

Juan Carlos Baglietto

Salzanitos

Mis hijos serán trompetistas, o no serán nada
Les prohibo cirujanos, arquitectos
Mucho menos banqueros, hombres de la Bolsa

Serán trompetistas, maravillas desde chicos
En el zapato de Reyes, la corchea
En el otro zapato el de las fusas
Después les compró la bolsa la vida
Les doy almanaques de caballos
Les compro aparatos con cosquillas

Los pongo contra el cielo
Les explico de Dios y de Louis Amstrong
Mis hijos serán descalzos, errabundos detenidos
Palpados de uno o más amores
Hm! Les encontrarán, es claro, la trompeta

Andarán por tío vivos con palabras giratorias
Tendrán amigos, enemigos, ex amigos
Tendrán que empeñar su palabra, su café
Pero no empeñarán nunca su trompeta, les diré
Pues una trompeta, es una trompeta
Les regalaré una gamuza de gamuza
Les haré escribir bis en los retretes

Eso haré, eso serán
Y aquí va mi testamento
Les dejo un repertorio de tristezas
Úsenlo solo de vez en cuando

El día de mi muerte vayan todos al entierro
Lleven sacos colorados, lleven la trompeta
Toquen Rosa, Madreselva o algún otro blues
Pero, cuidado, lleven las bufandas
En los cementerios se muere de amor y frío
Y yo los amo tanto!

Trompetistas

Meus filhos serão trompetistas, ou não serão nada
Proíbo que sejam cirurgiões, arquitetos
Muito menos banqueiros, homens da Bolsa

Serão trompetistas, maravilhas desde pequenos
No sapato do Rei, a colcheia
No outro sapato, as fusas
Depois a vida comprou a bolsa pra eles
Dou calendários de cavalos
Compro brinquedos que fazem cócegas

Os coloco contra o céu
Explico sobre Deus e sobre Louis Armstrong
Meus filhos andarão descalços, errantes parados
Tocados por um ou mais amores
Hm! Eles vão encontrar, é claro, a trompeta

Vão andar como espertos com palavras giratórias
Terão amigos, inimigos, ex-amigos
Vão ter que empenhar sua palavra, seu café
Mas nunca vão empenhar sua trompeta, eu direi
Pois uma trompeta, é uma trompeta
Vou dar a eles um pano de limpeza
Vou fazer eles escreverem bis nos banheiros

Isso farei, isso serão
E aqui vai meu testamento
Deixo um repertório de tristezas
Usem só de vez em quando

No dia da minha morte, vão todos ao enterro
Levem sacos coloridos, levem a trompeta
Toquem Rosa, Madreselva ou algum outro blues
Mas, cuidado, levem os cachecóis
Nos cemitérios se morre de amor e frio
E eu amo vocês tanto!

Composição: Daniel Salzano, Mario Oyarbide