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Fantasma de Azulejos

Juan Seren

Fantasma de Azulejos

Con una herida en la cuna
Guarda un charquito en los pies
Torcacita de piel oscura
Sobre el tejado de este almacén

¿Dónde escondió sus orillas?
¿Cuándo encontró mi dolor?
Yo he visto caer a su Luna
De rojo sobre mi canción

Cuando uno pasa
Siente sus besos
Sobre el café
Con las resacas
De un pronto invierno
Derrumba el humo
Que no ves

Y en dulces luces
Confunde el cielo
Del terraplén
Fantasma eterno
Su amor desnudo
Juega en mis versos
Sin querer

En su porción diminuta
En golpes que no estiró
Respira y guarda mi vida
Torcacita de hiel y carbón

Con su prisión de domingos
Se atreve a tanta escases
Suena su copla invisible
Que echa de menos
Mi propia fe

Fantasma de Azulejos

Com uma ferida no berço
Guarda uma poça nos pés
Pombo de pele escura
Sobre o telhado deste armazém

Onde escondeu suas margens?
Quando encontrou minha dor?
Eu vi sua Lua cair
Vermelha sobre minha canção

Quando alguém passa
Sente seus beijos
Sobre o café
Com as ressacas
De um inverno repentino
Derruba a fumaça
Que não vês

E em doces luzes
Confunde o céu
Do aterro
Fantasma eterno
Seu amor nu
Brinca em meus versos
Sem querer

Em sua porção diminuta
Em golpes que não estendeu
Respira e guarda minha vida
Pombo de gelo e carvão

Com sua prisão de domingos
Atreve-se a tanta escassez
Sua copla invisível ressoa
Que sente falta
Da minha própria fé

Composição: Juan Seren