Rio Que Nunca Filtrou

Juliana Hoffmann Liska

Você me atirou na fogueira
E nem a chuva me salvou
Eu gritei por dentro
Em silêncio
O meu orgulho se calou

Minha alma intocada
Vazia
Nem minhas lágrimas salgadas tocaram
Você desfez minhas certezas
Fez promessas
Depois foi embora

E eu tentando entender
Se foi falta ou foi excesso
Se era amor ou só desejo
Que queimou
Queimou
E virou cinza

Você foi ilusão ardente de decepção
Chama bonita que apagou minha razão
O rio que nunca filtrou o meu coração
Só carregou o que restou da nossa paixão

Você chegou feito verão
Prometendo brisa em tempestade
Mas cada abraço tinha espinho
Cada sorriso
Metade

Eu segui suas correntezas
Me afoguei na contradição
Você só via sua sede
Nunca viu meu coração

E eu tentando entender
Se era destino ou desvio
Se eu caí ou fui empurrado
Pra esse fundo frio

Você foi ilusão ardente de decepção
Chama bonita que apagou minha razão
O rio que nunca filtrou o meu coração
Só carregou o que restou da nossa paixão

Hoje eu caminho nas brasas que você deixou
Pé ferido
Mas firme
Ninguém mais me parou
Aprendi que nem todo mergulho é redenção
Tem água doce que corrói mais que solidão


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