
Viúvo De Quem Nunca Vi
Juliana Hoffmann Liska
Meu amor tão cedo se foi
Nem chegou
Já desandou
Tô preso nessa dança estranha
Três passos pra frente
Mil pra trás na mesma franja
Essa valsa no inferno sem fim
Rodando em fogo e solidão
Me sinto viúvo de quem nunca vi
Chamando teu nome
Sem saber se existe som
Sou viúvo de quem nunca vi
Choro o luto de um retrato que não tem
Te amo em sonhos que não lembro
Te perco em dias que não vêm
Mil anos se arrastam devagar
Condenado a te amar em vão
Um viúvo da morte de não te ter
Do lado da minha mão
Eu te amo no olhar
Mas nunca te enxerguei
Falo contigo no escuro
No espelho que eu quebrei
Minhas mãos nunca te tocaram
Mas tremem só em imaginar
Meu coração sente o teu abraço
Mesmo frio
Mesmo de gelo
Queimando em lugar errado
Mil anos já se passaram
O relógio virou ferro em brasa
Condenado a ser condenado
A girar na mesma casa
De te amar em pecado mudo
Ninguém vê
Ninguém perdoa
Sou viúvo do que não tive
E ainda assim
Eu te procuro à toa



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