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Rincão da Corticeira

Juliano Gomes

LetraSignificado

    A ponta de tropa mansa
    Cruzando a taipa do açude
    E a silhueta de um bugre
    No serenal da barranca
    Um poncho pátria na anca
    Do bueno gateado estrela
    E a solidão da baeta
    Na estrada antiga da sanga.

    Uma saudade desnuda
    Vem assobiando as esporas
    No papagaio das horas
    Cutucando a lida inteira
    De pronto troca a orelha
    No passo, o pingo crioulo
    Enquanto pito um de rolo
    No rincão da corticeira.

    Descanso a perna no estribo
    E afrouxo o corpo no basto
    E o campo consome o pasto
    Na imensidão da fronteira.

    Meu verso de alma campeira
    Costeia o mundo sulino
    Emquanto bufa um brasino
    No corredor da porteira.

    Um baio vem na culatra
    E acoa junto da tropa
    Que se negando na volta
    Se empacou no aguaceiro
    Um vento mancho pampeiro
    Desquinado pelo couro
    Topa o mugido de um touro
    No garrão dos ovelheiros
    Depois que encordoa o tranco
    Sigo sovando pelego
    Bem no compasso do tempo
    Ruminando a novilhada
    Pateando de cola chata
    No partajão boiadeiro
    Que desmamou os terneiros
    Lá no fundão da invernada.

    Segue o tinido da argola
    No freio do meu gateado
    E um semblante abarbarado
    Vai repontando a boiada.

    O pingo sorvendo aguada
    Espicha o corpo pra frente
    É o cerno da minha gente
    Que encilhou de madrugada.


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