A voix basse
J'ai un bien étrange pouvoir
Mais n'est-ce pas une malédiction ?
Cela a commencé un soir
J'avais à peine l'âge de raison
J'étais plongée dans un roman
De la Bibliothèque Rose
Quand j'ai vu qu'il y avait des gens
Avec moi dans la chambre close
Qui donc pouvaient être ces gosses,
Cette invasion de petites filles ?
Que me voulaient ces Carabosse
Qui leur tenaient lieu de famille ?
J'ai vite compris à leurs manières
A leurs habits d'un autre temps
Que ces visiteurs de mystère
Etaient sortis de mon roman
{Refrain:}
Ils jacassent
A voix basse
Dès que j'ouvre mon bouquin
Je délivre
De leurs livres
Des héros ou des vauriens
Qui surgissent
M'envahissent
Se vautrent sur mes coussins
Qui s'étalent
Et déballent
Linges sales et chagrins
Ils me choquent
M'interloquent
Et me prennent à témoin
De leurs vices
Leurs malices
De leurs drôles de destins
Mauvais rêve
Qui s'achève
Dès que je lis le mot "fin"
A voix basse
Ils s'effacent
Quand je ferme le bouquin
A voix basse
Ils s'effacent
Quand je ferme le bouquin
Depuis dès que mes yeux se posent
Entre les lignes, entre les pages
Mêmes effets et mêmes causes
Je fais surgir les personnages
Pour mon malheur, je lis beaucoup
Et c'est risqué, je le sais bien,
Mes hôtes peuvent aussi être fous
Ou dangereux, ou assassins
J'ai fui devant des créatures
Repoussé quelques décadents
Echappé de peu aux morsures
D'un vieux roumain extravagant
J'évite de lire tant qu'à faire
Les dépravés et les malades
Les histoires de serial-killers
Les œuvres du Marquis de Sade
{au Refrain}
N'importe quoi qui est imprimé
Me saute aux yeux littéralement
Et l'histoire devient insensée
Car je n'lis pas que des romans !
Ainsi, j'ai subi les caprices
D'un Apollon de prospectus
J'ai même rencontré les Trois Suisses
Et le caissier des Emprunts Russes
Un article du Code Pénal
Poilu comme une moisissure
S'est comporté comme un vandale
Se soulageant dans mes chaussures,
Ce démon qui vient de filer
Ça n'serait pas, -je me l'demande-
Un genre de verbe irrégulier
Sorti d'une grammaire allemande ?
Je pourrais bien cesser de lire
Pour qu'ils cessent de me hanter
Brûler mes livres pour finir
Dans un glorieux autodafé
Mais j'aime trop comme un opium
Ce rendez-vous de chaque nuit
Ces mots qui deviennent des hommes
Loin de ce monde qui m'ennuie.
Malgré les monstres et les bizarres
Je me suis fait quelques amis
Alors, j'ouvre une page au hasard
D'un livre usé que je relis
Et puis -j'attends je dois l'avouer-
Au coin d'un chapitre émouvant
Que vienne, d'un prince ou d'une fée,
Un amour comme dans les romans
Comme dans les romans
A voix basse
Qu'il me fasse
Oublier tous mes chagrins
Qu'il susurre
Doux murmures
Des "toujours" et des "demain"
Qu'il m'embrasse
Qu'il m'enlace
Et quand viendra le mot "fin"
Je promets
De n'jamais
Plus refermer le bouquin
Em Voz Baixa
Eu tenho um poder bem estranho
Mas não é uma maldição?
Isso começou numa noite
Eu mal tinha idade pra razão
Estava mergulhada em um romance
Da Biblioteca Rosa
Quando vi que havia pessoas
Comigo no quarto fechado
Quem poderiam ser essas crianças,
Essa invasão de meninas?
O que essas Carabosse queriam
Que eram como uma família pra elas?
Entendi rápido pelo jeito delas
Pelas roupas de outro tempo
Que esses visitantes misteriosos
Tinham saído do meu romance
{Refrão:}
Elas tagarelam
Em voz baixa
Assim que abro meu livro
Eu liberto
De seus livros
Heróis ou vagabundos
Que surgem
Me invadem
Se jogam nos meus travesseiros
Que se espalham
E desdobram
Roupa suja e tristezas
Elas me chocam
Me interpelam
E me fazem de testemunha
De seus vícios
Suas malícias
De seus destinos estranhos
Mau sonho
Que se acaba
Assim que leio a palavra "fim"
Em voz baixa
Elas se apagam
Quando fecho o livro
Em voz baixa
Elas se apagam
Quando fecho o livro
Desde então, assim que meus olhos pousam
Entre as linhas, entre as páginas
Mesmos efeitos e mesmas causas
Eu faço os personagens surgirem
Para meu azar, eu leio muito
E é arriscado, eu sei bem,
Meus hóspedes também podem ser loucos
Ou perigosos, ou assassinos
Fugi de criaturas
Afastei alguns decadentes
Escapei por pouco das mordidas
De um velho romeno extravagante
Evito ler, se puder
Sobre depravados e doentes
Histórias de serial killers
As obras do Marquês de Sade
{Refrão}
Qualquer coisa que está impressa
Salta aos meus olhos literalmente
E a história fica insana
Porque não leio só romances!
Assim, eu suportei os caprichos
De um Apolo de folhetos
Até conheci os Três Suíços
E o caixa dos Empréstimos Russos
Um artigo do Código Penal
Peludo como um mofo
Comportou-se como um vândalo
Aliviando-se nas minhas sapatos,
Esse demônio que acabou de escapar
Não seria, -me pergunto-
Um tipo de verbo irregular
Saído de uma gramática alemã?
Eu poderia muito bem parar de ler
Para que eles parem de me assombrar
Queimar meus livros pra acabar
Num glorioso auto de fé
Mas eu gosto demais como um ópio
Esse encontro de cada noite
Essas palavras que se tornam homens
Longe desse mundo que me entedia.
Apesar dos monstros e dos estranhos
Fiz alguns amigos
Então, abro uma página ao acaso
De um livro gasto que releio
E então -eu espero, devo confessar-
No canto de um capítulo emocionante
Que venha, de um príncipe ou de uma fada,
Um amor como nos romances
Como nos romances
Em voz baixa
Que me faça
Esquecer todas as minhas tristezas
Que sussurre
Doces murmúrios
De "sempre" e "amanhã"
Que me beije
Que me abrace
E quando chegar a palavra "fim"
Eu prometo
Nunca mais
Fechar o livro novamente