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Ir Sem Volta

Juliette Noureddine

Aller sans retour

Ce que j'oublierai c'est ma vie entière,
La rue sous la pluie, le quartier désert,
La maison qui dort, mon père et ma mère
Et les gens autour noyés de misère
En partant d'ici
Pour quel paradis
Ou pour quel enfer ?
J'oublierai mon nom, j'oublierai ma ville
J'oublierai même que je pars pour l'exil

Il faut du courage pour tout oublier
Sauf sa vieille valise et sa veste usée
Au fond de la poche un peu d'argent pour
Un ticket de train aller sans retour
Aller sans retour

J'oublierai cette heure où je crois mourir
Tous autour de moi se forcent à sourire
L'ami qui plaisante, celui qui soupire
J'oublierai que je ne sais pas mentir
Au bout du couloir
J'oublierai de croire
Que je vais revenir
J'oublierai, même si ce n'est pas facile,
D'oublier la porte qui donne sur l'exil

Il faut du courage pour tout oublier
Sauf sa vieille valise et sa veste usée
Au fond de sa poche un peu d'argent pour
Un ticket de train aller sans retour
Aller sans retour

Ce que j'oublierais... si j'étais l'un d'eux
Mais cette chanson n'est qu'un triste jeu
Et quand je les vois passer dans nos rues
Etranges étrangers, humanité nue
Et quoi qu'ils aient fui
La faim, le fusil,
Quoi qu'ils aient vendu,
Je ne pense qu'à ce bout de couloir
Une valise posée en guise de mémoire

Ir Sem Volta

O que eu vou esquecer é minha vida inteira,
A rua debaixo da chuva, o bairro deserto,
A casa que dorme, meu pai e minha mãe
E as pessoas ao redor afogadas na miséria.
Saindo daqui
Para qual paraíso
Ou para qual inferno?
Vou esquecer meu nome, vou esquecer minha cidade
Vou esquecer até que estou indo para o exílio.

É preciso coragem para esquecer tudo
Exceto a velha mala e a jaqueta surrada.
No fundo do bolso, um pouco de grana pra
Um bilhete de trem, ir sem volta.
Ir sem volta.

Vou esquecer essa hora em que acho que vou morrer,
Todos ao meu redor se forçam a sorrir.
O amigo que faz piada, aquele que suspira,
Vou esquecer que não sei mentir.
No fim do corredor,
Vou esquecer de acreditar
Que vou voltar.
Vou esquecer, mesmo que não seja fácil,
De esquecer a porta que dá pro exílio.

É preciso coragem para esquecer tudo
Exceto a velha mala e a jaqueta surrada.
No fundo do bolso, um pouco de grana pra
Um bilhete de trem, ir sem volta.
Ir sem volta.

O que eu esqueceria... se eu fosse um deles,
Mas essa canção não passa de um triste jogo.
E quando eu os vejo passar nas nossas ruas,
Estranhos estrangeiros, humanidade nua.
E seja o que for que tenham fugido,
A fome, a arma,
Seja o que tenham vendido,
Só penso naquele pedaço de corredor,
Uma mala deixada como memória.