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A Estrela Vermelha

Juliette Noureddine

L'Etoile Rouge

Au bar de l'Étoile Rouge
Il y a bien longtemps
Je servais des canons de rouge
Aux potes à maman
Ça s'enivrait à la gloire
Du kir et des communards
Rêvant du Grand Soir
Je m'souviens de Vassiliev
Parti en dix-sept à Kiev
Donner vie au rêve
Pauvre moujik qui, autrefois,
N'possédais pas même tes mains
Il ne te resta qu'un bras
Au moins, c'était le tien

Gais rossignols
Cerises et carmagnoles
Quels chœurs, quels luths
Rechanteront ces luttes
Pour ressusciter les Rouges
Du bar de l'Étoile Rouge ?

C'est en trente-six que Pablo
S'en alla bâtir
L'avenir et les châteaux
Sur l'Guadalquivir
Il tomba sous la mitraille
En braillant à plein poitrail
"Ay Carmela ay !"
Puis Anna chez Benito
A fait changer le tempo
Ô bella ciao, ciao, ciao !
L'hymne eut raison de l'idole
Bottes en l'air et nez au sol
Mais toutes ces cabrioles
Rendirent Anna folle

Et mon index
Trempé dans le Jerez
Sur le mur blanc
Traça "No pasaran"
En hommage à tous les Rouges
Du bar de l'Étoile Rouge

Au bar de l'Étoile Rouge
Reste plus que moi
Une vieille que les canons d'rouge
Ne mettent plus en joie
Il y a toujours sur le mur
Écrit le cri des purs et durs
Mais chacun s'en moque
"No pasaran, c'est du passé !"
Me disent des clients pressés
Faut changer d'époque
Mais même si ce goût de goulag
Dans mon verre en cristal de Prague
M'a tiré des pleurs
L'avenir est-il si radieux
Que l'on oublie celles et ceux
Qui l'ont rêvé meilleur ?

Anna, Pablo,
Vassiliev, de là-haut
De tout là-haut
Prév'nez vos petits frères
Que le bar
Même tard
Restera ouvert

A Estrela Vermelha

No bar da Estrela Vermelha
Faz tempo que eu
Servia canecos de tinto
Pros amigos da mamãe
Eles se embriagavam na glória
Do kir e dos comunardos
Sonhando com a Grande Noite
Eu me lembro do Vassiliev
Que foi pra Kiev em dezessete
Dar vida ao sonho
Pobre camponês que, antigamente,
Não tinha nem suas mãos
Te restou só um braço
Pelo menos, era o seu

Gaios rouxinóis
Cerejas e carmagnolas
Que coros, que liras
Repetirão essas lutas
Pra ressuscitar os Vermelhos
Do bar da Estrela Vermelha?

Foi em trinta e seis que o Pablo
Foi construir
O futuro e os castelos
À beira do Guadalquivir
Ele caiu sob a metralha
Gritando com toda a força
"Ay Carmela ay!"
Depois a Anna com Benito
Mudou o ritmo da canção
Ô bella ciao, ciao, ciao!
O hino venceu o ídolo
Botas pro alto e nariz no chão
Mas todas essas piruetas
Deixaram a Anna louca

E meu dedo
Mergulhado no Jerez
No muro branco
Desenhou "No pasarán"
Em homenagem a todos os Vermelhos
Do bar da Estrela Vermelha

No bar da Estrela Vermelha
Só restou eu
Uma velha que os canecos de tinto
Não alegram mais
Ainda está escrito no muro
O grito dos puros e duros
Mas ninguém se importa
"No pasarán, é passado!"
Dizem os clientes apressados
É preciso mudar de época
Mas mesmo que esse gosto de gulag
No meu copo de cristal de Praga
Me tenha feito chorar
O futuro é tão radiante
Que esquecemos aqueles e aquelas
Que sonharam um mundo melhor?

Anna, Pablo,
Vassiliev, lá de cima
De bem lá de cima
Avisem seus irmãos
Que o bar
Mesmo tarde
Continuará aberto

Composição: Frank Giroud / Juliette Noureddine