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O Feitiço de Circe

Juliette Noureddine

Le sort de Circé

Du temps que j'étais belle et bien un peu puérile
Je transformais les hommes en animaux
Ô combien de marins,
Ô combien d'imbéciles,
J'ai changés en pourceaux,
J'avais de la malice
Jetant mes maléfices
Aux compagnons d'Ulysse,
Mon nom vous parle encore de légendes anciennes
On m'appelle Circé et je suis magicienne

{Refrain:}
Mutatis mutandis
Ici je veux un groin
Un jambon pour la cuisse
Et qu'il te pousse aux reins
Un curieux appendice,
Mutatis mutandis
Maintenant je t'impose
La couleur d'une rose
De la tête au coccyx
Mutatis mutandis

Si tant est qu'il est vrai que tout dans le cochon
Peut nous paraître bon, dans l'homme non
Je n'ai fait que donner la forme qui convient
À ces jolis nourrains
Prisonniers de mes bauges
De mon œil qui les jauge,
De ma main qui remplit l'auge,
Pataugeant dans la boue, pauvres petits humains
Seriez-vous plus sereins, esprits sains ou porcins ?

{au Refrain}

Mais le temps a passé et j'ai jeté mes dopes
Mes poudres, mes potions, mes sortilèges
Il y a longtemps qu'Ulysse a rejoint Pénélope
Entre autres sacrilèges
Je vais de port en port (je vais de porc en porc)
Voir si je trouve encore
Un homme dans chaque porc (un homme dans chaque port)
Constatant que personne, dans ce monde en déglingue
Ne met plus de magie au fond de sa seringue
Quand ce n'est qu'en gorets
Que je les transformais
Les voici désormais
Enivrés par le fric, le pouvoir, les combines
Changés en charognards, en vautours, en vermine

Mutatis mutandis
Ici, je veux des dents
Que ton poil se hérisse
Qu'il coule dans ton sang
La fureur et le vice,
Mutatis mutandis
Que brûlent dans ton cœur
La haine et l'avarice
Et prend du prédateur
La sinistre pelisse

Sois aveugle et sois sourd
Et mène au sacrifice
La pitié et l'amour

{Choeurs, ad lib}
Mutatis mutandis

O Feitiço de Circe

No tempo em que eu era bela e um pouco infantil
Eu transformava homens em animais
Ó quantos marinheiros,
Ó quantos imbecis,
Eu mudei em porcos,
Eu tinha malícia
Lançando meus feitiços
Sobre os companheiros de Ulisses,
Meu nome ainda fala de lendas antigas
Me chamam de Circe e eu sou feiticeira

{Refrão:}
Mutatis mutandis
Aqui eu quero um focinho
Um presunto para a coxa
E que cresça em suas costas
Um curioso apêndice,
Mutatis mutandis
Agora eu te imponho
A cor de uma rosa
Da cabeça ao cóccix
Mutatis mutandis

Se é verdade que tudo no porco
Pode nos parecer bom, no homem não
Eu só dei a forma que convém
A esses bonitinhos
Prisioneiros das minhas pocilgas
Do meu olhar que os avalia,
Da minha mão que enche a gamela,
Pataugando na lama, pobres humanos
Vocês estariam mais serenos, espíritos sãos ou suínos?

{ao Refrão}

Mas o tempo passou e eu joguei minhas drogas
Minhas pós, minhas poções, meus feitiços
Faz tempo que Ulisses se juntou a Penélope
Entre outros sacrilégios
Vou de porto em porto (vou de porco em porco)
Ver se ainda encontro
Um homem em cada porco (um homem em cada porto)
Constatando que ninguém, neste mundo em ruínas
Coloca mais magia no fundo da seringa
Quando só em gorrinhos
Que eu os transformava
Aqui estão agora
Embriagados por grana, poder, trapaças
Mudados em carniceiros, em abutres, em pragas

Mutatis mutandis
Aqui, eu quero dentes
Que seu pelo se eriçe
Que corra em seu sangue
A fúria e o vício,
Mutatis mutandis
Que queimem em seu coração
O ódio e a avareza
E que tenha do predador
A sinistra pelagem

Seja cego e surdo
E leve ao sacrifício
A piedade e o amor

{Coros, ad lib}
Mutatis mutandis

Composição: Juliette Noureddine