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Assassinos sem Facas

Juliette Noureddine

Assassins sans couteaux

C'est un petit air qui fait grincer les dents,
Un sale refrain plein de morts et, pourtant,
Pas une goutte de sang.
Sans revolver ni poison,
Sans scrupule et sans cadeau,
C'est la petite chanson
Des assassins sans couteaux.

En quelques mots, lançons une rumeur,
Une bien laide qui va droit au coeur.
Reprenons-la tous en choeur.
Jouez crincrins, sonnez crécelles.
Qu'en canon frappent les maux.
Cancanons la ritournelle
Des assassins sans couteaux.

C'est pour pas cher que la brade l'ami,
Celui qui donne, celui qui trahit.
Trente deniers, c'est le prix
Pour l'exécution facile
Des desseins les plus salauds.
Chantons la cruelle idylle
Des assassins sans couteaux.

Cinglants reproches sur les rides au visage,
Elle tombe de la bouche d'un mari volage.
Indifférent au saccage,
Sans pitié, vas-y, fais mal.
Frappe et tue. Allez, bourreau!
Fredonne le madrigal
Des assassins sans couteaux.

Ceux que le pouvoir enivre et corrompt,
Les petits chefs, à coups d'humiliation,
S'en servent sur tous les tons,
Le menton plein d'arrogance,
Déversant la haine à flots,
Nasillent la veule romance
Des assassins sans couteaux.

Toi qui la connais pour l'avoir chantée
Mille fois déjà sans être inquiété,
Méfie-toi: le vent peut tourner,
Susurrer à mots choisis
Et te planter dans le dos
La lugubre mélodie
Des assassins sans couteaux.

Assassinos sem Facas

É um pequeno ar que faz ranger os dentes,
Um refrão sujo cheio de mortes e, ainda assim,
Nem uma gota de sangue.
Sem revólver nem veneno,
Sem escrúpulos e sem presentes,
É a pequena canção
Dos assassinos sem facas.

Em poucas palavras, vamos lançar um boato,
Um bem feio que vai direto ao coração.
Vamos cantá-la todos em coro.
Toca os crincrins, soa as chocalhas.
Que os males batam em canhão.
Canta a canção
Dos assassinos sem facas.

É por um preço baixo que o amigo vende,
Aquele que dá, aquele que trai.
Trinta dinheiros, esse é o preço
Para a execução fácil
Dos planos mais imundos.
Cantemos a cruel idílio
Dos assassinos sem facas.

Reclamações cortantes nas rugas do rosto,
Elas saem da boca de um marido infiel.
Indiferente ao estrago,
Sem piedade, vai lá, faz mal.
Bate e mata. Vai, carrasco!
Canta o madrigal
Dos assassinos sem facas.

Aqueles que o poder embriaga e corrompe,
Os pequenos chefes, com humilhação,
Usam isso em todos os tons,
Com o queixo cheio de arrogância,
Derramando ódio em torrentes,
Sussurram a fraca romança
Dos assassinos sem facas.

Você que a conhece por tê-la cantado
Mil vezes já sem ser incomodado,
Cuidado: o vento pode mudar,
Sussurrar em palavras escolhidas
E te cravar pelas costas
A lúgubre melodia
Dos assassinos sem facas.

Composição: Juliette Noureddine