A Mis Manos
Mis manos nacieron ciegas
y acunan sus locos sueños.
No saben que no se puede
tocar con ellas el cielo.
Por eso golpearon puertas
que a mis golpes no se abrieron.
Ella ya estaba lejana
y yo fui un mendigo ciego.
Mis manos fueron dos llamas
y solas se consumieron
porque ella fue indiferente
como una estatua de hielo.
Por eso las tengo ahora
como si fueran de yeso,
dos manos desesperadas,
aferradas a un recuerdo.
¡Ay, cómo se equivocaron
las ciegas manos que tengo!
Mis manos puse en las manos
de un amigo y tuve miedo.
No fueron manos leales,
se cumplió el presentimiento.
La vez que se hicieron puño
fueron dos puños de acero
y me golpearon el rostro
por no golpear rostro ajeno.
¡Ay, cómo se equivocaron
las ciegas manos que tengo!
Soldado del infortunio
llevo un brazalete negro.
¡Se llevaron a mi madre
y ellas no la detuvieron!
Fue el error más lamentable
que mis manos cometieron...
Ayudaron a llevarla...
¡Nunca sabrán lo que han hecho!
¡Ay, cómo se equivocaron
las ciegas manos que tengo!
Minhas Mãos
Minhas mãos nasceram cegas
e embalam seus sonhos malucos.
Não sabem que não se pode
tocar com elas o céu.
Por isso bateram em portas
que aos meus golpes não se abriram.
Ela já estava distante
e eu fui um mendigo cego.
Minhas mãos foram duas chamas
e sozinhas se consumiram
porque ela foi indiferente
como uma estátua de gelo.
Por isso as tenho agora
como se fossem de gesso,
duas mãos desesperadas,
aferradas a uma lembrança.
Ai, como se enganaram
as cegas mãos que eu tenho!
Minhas mãos coloquei nas mãos
de um amigo e tive medo.
Não foram mãos leais,
se cumpriu o pressentimento.
Na vez que se fizeram punho
foram dois punhos de aço
e me golpearam o rosto
por não golpear rosto alheio.
Ai, como se enganaram
as cegas mãos que eu tenho!
Soldado do infortúnio
carrego uma braçadeira negra.
Levaram minha mãe
e elas não a detiveram!
Foi o erro mais lamentável
que minhas mãos cometeram...
Ajudaram a levá-la...
Nunca saberão o que fizeram!
Ai, como se enganaram
as cegas mãos que eu tenho!