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A Convidada

Julio Camilloni

La invitada

Yo soy un sueño caminando por las calles
que de pronto se hace tango
al conjuro de un recuerdo.
Ahora mismo que transito por Corrientes
ya desierta, ya sin gente
-medianoche y crudo invierno-
¿a quién le explico que "ella" me tomó del brazo,
que sus pasos y mis pasos
se volvieron a encontrar?
¿A quién le digo que es mi sombra enamorada
y que siempre es "la invitada"
que no tengo que invitar?

Y de pronto son las musas
de Discépolo y de Manzi
que penetran con sus tangos
en mi templo emocional,
rebotando...
Rebotando con sus voces
contra los viejos "Lacroze"
justo frente al "Nacional".
Musa mía... no abandones, no me dejes...
porque el día que tu paso se detenga
mi corazón perdido también se detendrá.

Yo soy un sueño caminando por las calles
que de pronto se hace tango
al conjuro de un recuerdo...
Y de mi brazo como siempre enamorada
va mi musa, "la invitada",
que me está dictando versos.
Yo tuve otra con la cual siempre me vieron,
musa y besos que se fueron
para nunca retornar.
¿A quién le digo que a mi lado va su sombra
que me besa y que me nombra
cuando estoy en soledad?

A Convidada

Eu sou um sonho caminhando pelas ruas
que de repente se transforma em tango
ao conjuro de uma lembrança.
Agora mesmo que passo por Corrientes
já deserta, já sem gente
-meia-noite e inverno rigoroso-
quem eu explico que "ela" me pegou pelo braço,
que seus passos e meus passos
se reencontraram?
Quem eu digo que é minha sombra apaixonada
e que sempre é "a convidada"
que não preciso convidar?

E de repente são as musas
de Discépolo e de Manzi
que penetram com seus tangos
no meu templo emocional,
batendo...
Batendo com suas vozes
contra os velhos "Lacroze"
justo em frente ao "Nacional".
Minha musa... não abandone, não me deixe...
porque no dia em que seu passo parar
meu coração perdido também vai parar.

Eu sou um sonho caminhando pelas ruas
que de repente se transforma em tango
ao conjuro de uma lembrança...
E do meu braço como sempre apaixonada
vai minha musa, "a convidada",
que está me dictando versos.
Eu tive outra com a qual sempre me viram,
musa e beijos que se foram
para nunca retornar.
Quem eu digo que ao meu lado vai sua sombra
que me beija e que me nomeia
quando estou na solidão?

Composição: Julio Camilloni, Antonio Blanco