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A Danada da Música

Junão Miranda

A danada da música
Chega sem bater na porta
Invade a sala do peito
E muda o móvel da alma

Tem dia que samba no riso
Tem noite que chora no blues
Às vezes é rap nervoso
Às vezes, só o silêncio e a luz

Não pede licença, não jura amor
Mas quando gruda, gruda com fervor
Vira trilha, vira fuga
Vira prece, vira arruaça

É fio de voz na garganta rouca
É tambor no peito que nunca apaga
É o amor falando em língua louca
Que a gente entende sem dizer nada

Danada essa tal de música
Que cura, que corta, que cria
Me fez poeta sem rima certa
Só com o compasso da rebeldia


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