Agua y Tiza
Abuela, pienso en ti cuando veo la Luna, eh
Me siento sin ti como un desierto sin dunas
La piel dura con las marcas de un puma
Cariño, dame luz que nos quedamos a oscuras
Ya no te veo por el barrio como siempre
Aún no me saco tus promesas de la mente
Estás presente, el veneno de serpiente
Que desprendes, bien te mata o te deja indiferente
Esto es pa' siempre, lo tengo claro
Sigo perdida por las luces de los faros
Los niños gritan, siento tus clavos
Hace ya tiempo que pasaste por el aro
Entre tus lágrimas, entre agua y tiza
No voy a volver, me has pegado una paliza
He abrazado a un hermano en un tarro de cenizas
De un momento a otro la vida te paraliza
Y ahora vivo con ello, aunque no me cicatriza
Si vivo sin mi abuela pue'o vivir sin tu sonrisa
Me cubre el cuerpo una coraza maciza
Eh, ahora hablarlo descuartiza
Te pienso en cada tema pa' que me oigas desde el cielo
Dos hermanos, dos abuelos, un mañana nos veremos
Nos vimos, pero lejos, lágrimas frente a un espejo
Salté detrás del Adri como acto reflejo
Entre paredes que se caen y personas equidistantes
Me duele el pecho, abuela, te llevo en la sangre
Busco una estrella que brille para rezarte
No tengo miedo, sé que estás en todas partes
Párteme en pedazos, que me haz roto ochenta veces
Le cogí el gusto y ahora el golpe no me escuece
Entre personas que son algo distinto a lo que parecen
Yo soy así, me han disparao' desde los 13
Y ahora el monstruo me mira, ya he echado la suerte
Y antes vivía por ti, ahora sin ganas de verte
Que ya salimos de ahí, ya he conocido a la muerte
Me ha dicho Carmen: Me llevo a cuatro, cuida a tu gente
Ya he conocido a la muerte
Ya he conocido a la muerte
Me ha dicho Carmen: Me llevo a cuatro, cuida a tu gente
Água e Giz
Vó, eu penso em você quando vejo a Lua, eh
Me sinto sem você como um deserto sem dunas
A pele dura com as marcas de um puma
Querida, me dá luz que estamos na escuridão
Já não te vejo pelo bairro como sempre
Ainda não consigo tirar suas promessas da mente
Você está presente, o veneno da serpente
Que você solta, bem te mata ou te deixa indiferente
Isso é pra sempre, eu tenho certeza
Continuo perdida pelas luzes dos faróis
As crianças gritam, sinto suas dores
Já faz tempo que você passou pelo aro
Entre suas lágrimas, entre água e giz
Não vou voltar, você me deu uma surra
Abracei um irmão em um pote de cinzas
De uma hora pra outra a vida te paralisa
E agora vivo com isso, embora não cicatrize
Se eu vivo sem minha avó, posso viver sem seu sorriso
Me cobre o corpo uma armadura pesada
Eh, agora falar disso me despedaça
Penso em você em cada música pra que me ouça do céu
Dois irmãos, dois avós, um dia nos veremos
Nos vimos, mas longe, lágrimas diante de um espelho
Saltei atrás do Adri como um reflexo
Entre paredes que caem e pessoas distantes
Me dói o peito, vó, te levo no sangue
Busco uma estrela que brilhe pra eu rezar pra você
Não tenho medo, sei que você está em todos os lugares
Me parte em pedaços, que você me quebrou oitenta vezes
Peguei gosto e agora o golpe não me dói
Entre pessoas que são algo diferente do que parecem
Eu sou assim, me dispararam desde os 13
E agora o monstro me olha, já joguei a sorte
E antes vivia por você, agora sem vontade de te ver
Que já saímos de lá, já conheci a morte
Me disse Carmen: Levo quatro, cuida da sua gente
Já conheci a morte
Já conheci a morte
Me disse Carmen: Levo quatro, cuida da sua gente