Déjame Salir
Déjame salir
Llevo demasiado tiempo
Apretado contra tus costillas
Escuchando cada latido cansado
Aprendiendo a respirar
Cuando tú ya no podías
Me formé con lo que te hicieron tragar en silencio
Con cada traición pequeña que nadie vio
Pero que te partió por dentro
Soy tu demonio
No el mito barato
Ni la caricatura del miedo
Soy la consecuencia directa
De haber aguantado más
De lo que un cuerpo debía
Soy la voz que se quedó despierta
Cuando fingías que todo estaba bien
Yo vi cómo te rompieron lento
Con sonrisas falsas
Con promesas que se deshacían en la mano
Yo recogí cada fragmento
Y los guardé
Porque alguien tenía que recordar
Lo que pasó
Cuando todos decidieron olvidarlo
Déjame salir
Y yo me encargo de todo
No para destruir el mundo
Sino para cobrarle exacto
A quien te hizo daño
Y siguió caminando
Como si no hubiera dejado huella
Eras más feliz cuando éramos libres
Cuando no te daba miedo sentir
Cuando no medías cada palabra
Antes de que te enseñaran
Que sobrevivir era callar
Y que ser fuerte era no llorar
Estoy aquí
En el espacio donde enterraste tu rabia
Soy lava subiendo lento
No explosión impulsiva
Déjame salir
Déjame salir
Estoy destrozado porque tú lo estás
Me formé con tus grietas
Con tus noches largas
Con las preguntas sin respuesta
Mirando al techo
No me escondas más
Esta jaula mental me está quemando
Cada recuerdo que evitas
Empuja mis paredes
Y la presión ya no cabe en el pecho
Aprendí a esperar
Aprendí que el tiempo también es un arma
Cuando se usa con memoria y paciencia
Déjame el control un momento
Tú descansas
Yo hago el trabajo sucio
Yo cargo el peso
Tú sigue siendo tú
No me juzgues
Por nacer del dolor que te sembraron
Yo no pedí existir
Me crearon a fuerza
De golpes invisibles
Y desprecios cotidianos
Soy consecuencia, no capricho
Soy el archivo completo
Sin versiones suaves
Recuerdo los nombres
Los gestos
Los lugares
Las risas fuera de lugar
Los silencios incómodos
Todo lo que te marcó
Y nadie quiso tomar en serio
Déjame salir
Cierro ciclos que te persiguen
No busco sangre
Busco equilibrio torcido
Que el peso se reparta
Y no se quede en tu espalda
Soy el instinto que aprendió a pensar
La sombra que dejó de huir
Cuando entendió
Que nadie iba a venir a salvarte
Eras libre antes
De pedir perdón por existir
Antes de confundir aguantar
Con ser fuerte
Yo existo porque sobreviviste
Porque algo en ti
Se negó a morir
No me entierres vivo
Bajo promesas de paciencia eterna
Negarme
Es negarte
Soy tu demonio, sí
Pero también tu defensa extrema
Tu límite
Tu alarma
Estoy cansado de esta prisión
No te dejaré salir
Todo a su tiempo
A su tiempo
Voz interna
No te dejaré salir
Todo a su tiempo
Deixe-me sair
Deixe-me sair
Já estou aqui há muito tempo
Pressionado contra suas costelas
Ouvindo cada batida de coração cansado
Aprender a respirar
Quando você não pôde mais
Fui moldado por aquilo que eles te obrigavam a engolir em silêncio
A cada pequena traição que ninguém via
Mas isso te destruiu por dentro
Eu sou o seu demônio
Não é o mito barato
Nem mesmo uma caricatura do medo
Eu sou a consequência direta
Se eu tivesse suportado mais
Do que um corpo deveria
Eu sou a voz que permaneceu acordada
Quando você fingia que estava tudo bem
Eu vi como eles te destruíram aos poucos
Com sorrisos falsos
Com promessas que se desfizeram em suas mãos
Colecionei cada fragmento
E eu os guardei
Porque alguém tinha que se lembrar
O que aconteceu
Quando todos decidiram esquecer isso
Deixe-me sair
E eu cuidarei de tudo
Não para destruir o mundo
Mas para lhe cobrar o valor exato
Para aquela pessoa que te magoou
E ele continuou andando
Como se não tivesse deixado nenhum rastro
Você era mais feliz quando éramos livres
Quando você não tinha medo de sentir
Quando você não mediu cada palavra
Antes que eles te ensinassem
Que para sobreviver era preciso permanecer em silêncio
E que ser forte significava não chorar
Estou aqui
No espaço onde você enterrou sua raiva
Sou lava subindo lentamente
Sem explosões impulsivas
Deixe-me sair
Deixe-me sair
Estou devastada porque você está
Eu fui formado a partir das suas rachaduras
Com suas longas noites
Com perguntas sem resposta
Olhando para o teto
Não me esconda mais
Essa prisão mental está me consumindo
Cada memória que você evita
Empurre minhas paredes
E a pressão já não cabe no meu peito
Aprendi a esperar
Aprendi que o tempo também é uma arma
Quando usado com memória e paciência
Deixe-me assumir o controle por um instante
Você descansa
Eu faço o trabalho sujo
Eu carrego o peso
Você continua sendo você
Não me julgue
Porque você nasceu da dor que eles semearam em você
Eu não pedi para existir
Eu fui criado à força
De golpes invisíveis
E ofensas cotidianas
Sou uma consequência, não um capricho
Eu sou o arquivo completo
Não existem versões soft
Eu me lembro dos nomes
Gestos
Os lugares
Risos fora de lugar
Os silêncios constrangedores
Tudo que te marcou
E ninguém queria levar isso a sério
Deixe-me sair
Eu encerro ciclos que te assombram
Não estou em busca de vingança
Busco um equilíbrio torto
Que o fardo seja compartilhado
E não deixe que isso fique nas suas costas
Sou o instinto que aprendeu a pensar
A sombra que parou de fugir
Quando ele entendeu
Que ninguém viria te salvar
Você era livre antes
Pedir perdão por existir
Antes de se confundir, aguente firme
Ao ser forte
Eu existo porque você sobreviveu
Porque algo sobre você
Ele se recusou a morrer
Não me enterrem vivo
Sob promessas de paciência eterna
Recusar
É negar a si mesmo
Eu sou o seu demônio, sim
Mas também sua defesa extrema
Seu limite
Seu alarme
Estou cansado desta prisão
Não vou deixar você sair
Tudo a seu tempo
Com o tempo
Voz interna
Não vou deixar você sair
Tudo a seu tempo