Coccinelle
Un sombre fichu de dentelle
Une robe rouge à points noirs
On aurait dit une coccinelle
Lorsqu'il la vit sur le trottoir
Elle ressemblait, la pauvrette
Avec ses modestes habits,
A la frêle petite bête
Qui vient, dit-on, du paradis
Voyant qu'elle tremblait de froid
Il lui dit alors à mi-voix
"Coccinelle, coccinelle,
Jolie bête à bon Dieu,
Viens te réchauffer un peu
Loin de la neige cruelle !
Je t'invite, viens ma belle
Car auprès de mon feu,
L'amour séchera tes ailes
Coccinelle !"
On prétend que les coccinelles
Dans les maisons portent bonheur
Aussi, tout l'hiver avec elle
Il vécut un rêve enchanteur
Mais quand vint le printemps, la belle,
Sous les rayons du soleil d'or
Sentant se dégourdir ses ailes,
Un beau matin prit son essor
Et quand, le soir, rentra l'amant
Il l'appela bien tristement
"Coccinelle, coccinelle,
Jolie bête à bon Dieu,
Tu quittes ton amoureux,
Reviens, ne sois pas cruelle !
Prends garde au soleil, ma belle,
Prens bien garde à tous ses feux !
L'amour brûlera tes ailes
Coccinelle !"
Le temps passa mais quand les feuilles
Vinrent à tomber de nouveau
A l'époque où les jours s'endeuillent,
Où meurent les petits oiseaux
Elle revint dans la chambrette
Où l'amour les avaient unis
Voulant revivre l'amourette
Mais hélas ! C'était bien fini,
Coccinelles et papillons
Vivent à peine une saison
"Coccinelle, coccinelle,
Jolie bête à bon Dieu
Tout ira à ton amoureux
Je t'aime encore, infidèle"
Mais la pauvre âme si frêle
S'envole vers les cieux,
L'amour a brisé tes ailes
Coccinelle !
Joaninha
Um vestido de renda tão fino
Um vestido vermelho com bolinhas pretas
Parecia uma joaninha
Quando ele a viu na calçada
Ela parecia, coitadinha
Com suas roupas modestas,
A frágil criaturinha
Que vem, dizem, do paraíso
Vendo que ela tremia de frio
Ele disse então em voz baixa
"Joaninha, joaninha,
Linda bicho de Deus,
Vem se aquecer um pouco
Longe da neve cruel!
Te convido, vem minha bela
Pois perto do meu fogo,
O amor secará suas asas
Joaninha!"
Dizem que as joaninhas
Trazem sorte nas casas
Assim, todo inverno com ela
Ele viveu um sonho encantado
Mas quando chegou a primavera, a bela,
Sob os raios do sol dourado
Sentindo suas asas se aquecerem,
Uma bela manhã tomou seu voo
E quando, à noite, o amante voltou
Ele a chamou tristemente
"Joaninha, joaninha,
Linda bicho de Deus,
Você deixa seu amado,
Volte, não seja cruel!
Cuidado com o sol, minha bela,
Fique atenta a todos os seus raios!
O amor queimará suas asas
Joaninha!"
O tempo passou, mas quando as folhas
Começaram a cair de novo
Na época em que os dias se entristecem,
Onde os passarinhos morrem
Ela voltou para o quartinho
Onde o amor os uniu
Querendo reviver o romance
Mas, infelizmente! Já tinha acabado,
Joaninhas e borboletas
Vivem mal uma estação
"Joaninha, joaninha,
Linda bicho de Deus
Tudo irá para seu amado
Eu ainda te amo, infiel"
Mas a pobre alma tão frágil
Voa para os céus,
O amor quebrou suas asas
Joaninha!"