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O Carvalho e o Salgueiro

KARNIVAL

O tempo calou
O Carvalho secou
A gota cessou
A folha se foi

A vida flertou
A morte escutou
O dia dormiu
Quando a noite chegou

Carvalho solitário
Vasto o lampejar
Das lágrimas
Eu posso ouvir o tempo passar
O tempo passar

Eu venho em humilde gesto
Quero visitar
As memórias
As histórias

Conte o tempo
Conte as folhas
Conte as gotas
Não cabem nos dedos

E eu digo
Que a vida esconde em segredo
Cartas de amor a morte
Escritas a tinta cor da tempestade

Faz trovejar
Cai cai água
Caia o tempo
Caia o templo

Eu sou vida
Eu sou sangue
O assalto e o cortejo

O povo exclama
Soltem Barrabás
E matem o cordeiro

Nosso fim será certeiro
Esse é o último dezembro
Conte as folhas
Conte as gotas
Eu perco a noção do tempo

Nosso fim será certeiro
Esse é o último dezembro
Conte as gotas
Conte as folhas
Elas não cabem nos dedos

Carvalho
Solitário
Desnudos são seus galhos
Virão pra te matar e fazer cabos de machados

Me vou correndo
Insatisfeito
Em ver o paraíso
Se transformar no inferno

E se alguém te adubou
Com remorço
Corte as raízes do ódio
E mostre no fim para todos Que você cresceu

E caso te forcem a caminhar
Sobre espinhos e roseiras
Bravas

Teus pés podem sangrar
Mas me prometa
Que não vai arrancar
As suas pétalas

O tempo calou
O Carvalho secou
A gota cessou
A folha se foi

A vida flertou
A morte escutou
O dia dormiu
Quando a noite chegou


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