Acontraluz
En huelga de mi mala sangre
Dejé a mis venas pasar hambre
Pero eso atrae a las serpientes en enjambre
Así que até mi corazón partido con alambre
Y edificios me envuelven en jauría
Ropa en balcones como carne en sus encías
Opacan al Sol de medio día
Y me apago junto a la avenida
Arranqué la cortina y sigo a contraluz
Yo que soñaba con ser tu luz
Pero mi cruz es mi faro (ahogado)
Agujero negro en el estómago
Los órganos del tórax vaciados
Otro auditorio abandonado
Ermitaño en mi montaña
Danza en mi cráneo el eco de la migraña
Pero mis pestañas arañan el ardor
En mis entrañas hay telarañas y alcohol
Vomité mi alma en el baño del avión
Quisiera alas, pero volaría al Sol
Es quien soy, yeah
Y los ojos de la noche
Son los del ciervo frente al coche
No creo en Judas ni aunque diga la verdad
Violenta y viuda, esa es la ciudad
Te refleja si no querés verte
Te convierte en lo que más odias
Tan pequeña cuando querés perderte
Tan gigante cuando te buscás
Contraluz
Em greve da minha má energia
Deixei minhas veias passarem fome
Mas isso atrai as serpentes em enxame
Então amarrei meu coração partido com arame
E prédios me cercam como uma matilha
Roupas em varandas como carne em suas gengivas
Ofuscam o Sol do meio-dia
E eu me apago junto à avenida
Arranquei a cortina e sigo à contraluz
Eu que sonhava em ser sua luz
Mas minha cruz é meu farol (afogado)
Buraco negro no estômago
Os órgãos do tórax esvaziados
Outro auditório abandonado
Ermitão na minha montanha
Dança na minha cabeça o eco da enxaqueca
Mas meus cílios arranham a ardência
Em minhas entranhas há teias de aranha e álcool
Vomitava minha alma no banheiro do avião
Queria asas, mas voaria ao Sol
É quem eu sou, é
E os olhos da noite
São os do cervo na frente do carro
Não acredito em Judas nem se disser a verdade
Violenta e viúva, essa é a cidade
Te reflete se você não quer se ver
Te transforma no que mais odeia
Tão pequena quando quer se perder
Tão gigante quando vai se procurar