Calibre 22
Trra, sí
Ellos dicen
Ellos dicen
Ellos dicen que tengo luz, pero no ven mi sombra
Cargo la vida en la espalda mientras la ciudad me nombra
Crecí con la bronca atragantada en la polenta
Mirando como en mi barrio la dignidad se revienta
Quieren que me calme, que respire profundo
Yo que respiro muerte en cada esquina de este mundo
Pidiendo una mano me dieron un par de sogas
Una pa' colgarme y otra pa' que arrastre al que me ahoga
No elegí ser poeta, elegí no morirme
Y al final escribir es otra forma de pudrirme
Tengo pesadillas que están pidiendo perdón
Todas son tan sucias que duermen en un cartón
Tú quieres salvarme con tus charlas T.D
No hay moral que me alcance, mis demonios bailan salsa
Para saciarse la sed
De reventarse la cabeza contra una pared
Y así dejar de pensar en lo que sí intenté y no fue
Solo la fe me mueve, aunque pese como una deuda
Cada logro es un préstamo, cada error una cuerda
Hay cuentas que no esperan y noches de hoteles caros
Donde extraño más mi pieza
No sé cómo se empieza, pero no escatimo
Porque si no doy el paso, en consecuencia me deprimo
Casi a nadie me arrimo, no necesito de sombras
Ni de sobras, ni de nombres
Si mi entorno me crió para ser yo mi propio hombre
Los míos no meditan, se medican
Se cosen, se clausuran, sacrifican
No me dieron la opción, tuve que hacer mi misión
Me volvió más fuerte el silencio que la misma ovación
Yo sé muy bien lo que necesito, solo ahí parezco ejército
Puta, respeta el mérito, lo mío es exquisito, nunca genérico
Me doy el crédito de ser una hijueputa cuando toca
Porque hay muchos que cagan por la boca
Dicen: La vida es rosa, pero soy daltónica
Y todo lo que toco se oxida o me deja tóxica
La Sertralina hizo que se me secaran las lágrimas
O tal vez fuiste tú que todo lastimas
Hola que, quiero oírme muy seguido
Y no es que amarre mucho lo que tenga o he tenido
Mi límite es vacío, mi independencia es nula
Creí que sentía amor, pero era gula
Una, dos, tres noches que no como y he bebido lo que cabe
Sé que no es debido que estoy grave
Tres, dos, uno, es que me quiero matar
Pero no tengo escopeta, solamente sé rapear
No soy la mejor y nunca he querido serlo
Pero mi estrella es tan grande que no me deja entenderlo
Soy más de lo que ves, lo que me inventas me limita
Mi barrio es tan maldito que me volví una maldita
Trra, sí, es mi cura y a veces prisión
Dios me dio la luz, pero no la instrucción
Estoy llorando, dame mi bendición
Oh, no, no, no, no, no, no, no, no
Oh, man
La Negra Cinco Estrella
Oh, shit
Trra-pa-pa
K, O, Beats
Hijo de puta
Jaja
Shao
Calibre 22
Trra, sim
Eles dizem
Eles dizem
Eles dizem que eu tenho luz, mas não veem minha sombra
Carrego a vida nas costas enquanto a cidade me nomeia
Cresci com a raiva entalada na garganta
Vendo como no meu bairro a dignidade se despedaça
Querem que eu me acalme, que respire fundo
Eu que respiro morte em cada esquina desse mundo
Pedindo uma mão, me deram um par de cordas
Uma pra me enforcar e outra pra arrastar quem me afoga
Não escolhi ser poeta, escolhi não morrer
E no final, escrever é outra forma de apodrecer
Tenho pesadelos que estão pedindo perdão
Todos são tão sujos que dormem em um papelão
Você quer me salvar com suas conversas T.D
Não há moral que me alcance, meus demônios dançam salsa
Pra saciar a sede
De estourar a cabeça contra uma parede
E assim parar de pensar no que eu tentei e não consegui
Só a fé me move, embora pese como uma dívida
Cada conquista é um empréstimo, cada erro uma corda
Há contas que não esperam e noites em hotéis caros
Onde sinto mais falta do meu quarto
Não sei como se começa, mas não me contenho
Porque se não dou o passo, em consequência eu me deprimo
Quase ninguém se aproxima, não preciso de sombras
Nem de sobras, nem de nomes
Se meu entorno me criou pra eu ser meu próprio homem
Os meus não meditam, se medicam
Se costuram, se fecham, se sacrificam
Não me deram a opção, tive que cumprir minha missão
O silêncio me deixou mais forte que a própria ovação
Eu sei muito bem o que preciso, só aí pareço exército
Puta, respeita o mérito, o que é meu é requintado, nunca genérico
Me dou o crédito de ser uma filha da puta quando é preciso
Porque há muitos que falam merda pela boca
Dizem: A vida é rosa, mas sou daltônico
E tudo que toco oxida ou me deixa tóxica
A Sertralina fez minhas lágrimas secarem
Ou talvez tenha sido você que tudo machuca
Oi, quero me ouvir com frequência
E não é que eu me prenda muito ao que tenho ou tive
Meu limite é o vazio, minha independência é nula
Achei que sentia amor, mas era gula
Uma, duas, três noites que não como e bebi o que cabe
Sei que não é certo, estou mal
Três, dois, um, é que quero me matar
Mas não tenho espingarda, só sei rimar
Não sou a melhor e nunca quis ser
Mas minha estrela é tão grande que não me deixa entender
Sou mais do que você vê, o que você inventa me limita
Meu bairro é tão amaldiçoado que me tornei uma maldita
Trra, sim, é minha cura e às vezes prisão
Deus me deu a luz, mas não a instrução
Estou chorando, me dá minha bênção
Oh, não, não, não, não, não, não, não, não
Oh, cara
A Negra Cinco Estrela
Oh, merda
Trra-pa-pa
K, O, Beats
Filho da puta
Jaja
Shao
Composição: Benny B, Kei Linch