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Confissões do Sertão

Kiko di Faria

Eu vim lá do fundo da estrada, onde o tempo não tem perdão
Vi coronel virar lenda, vi jagunço virar patrão
Fui sombra nas madrugadas, fui segredo em procissão
E se você não me conhece, é melhor pedir bênção, irmão

Vi amor virar vingança, vi promessa virar traição
Vi moça fugir de casa, com o coração na mão
Fui o grito preso na garganta, fui o choro no sertão
E se você cruzar meu caminho, reze antes da decisão

Sou o eco da viola, sou o pó da ilusão
Sou o riso que engana, sou a dor da paixão
Me chama de destino, me chama de tentação
Mas nunca diga que é fácil viver no coração do sertão

Vi padre perder a fé, vi santo cair em tentação
Vi dinheiro comprar silêncio, vi justiça sem razão
Fui o verso que ninguém canta, fui o nome sem perdão
E se você quiser me ouvir, sente e escute com atenção

Não sou vilão, nem herói, sou só parte da canção
Sou o que resta da história, quando se apaga o lampião

Sou o eco da viola, sou o pó da ilusão
Sou o riso que engana, sou a dor da paixão
Me chama de destino, me chama de tentação
Mas nunca diga que é fácil viver no coração do sertão

Sou o eco da viola, sou o pó da ilusão
Sou o riso que engana, sou a dor da paixão


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