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O Amor Pode Revolucionar

Ktarse

Letra

    O amor pode revolucionar
    Emancipar, a verdadeira arte de amar
    O amor é um sentimento de subversão
    Mas o contexto histórico da escravidão

    Nos condicionou a não amar a vida
    Herança cruenta do sistema colonialista
    Que sequestrou, estuprou, escravizou
    Que nos deixou carregados de rancor

    É foda como para nós do gueto
    Falar de amor é quase um tormento
    É tanto pesadelo, é tanta frustração
    É tanto veneno e ódio no coração

    Mentalidade nutrida pelo sistema
    Para manter o gueto refém da violência
    O racismo projetado pela classe dominante
    Deturpou nosso potencial como amantes

    Nós, do gueto, estamos feridos
    Somos um povo ferido pelo colonialismo
    Pela exploração, opressão de classe
    Pelo racismo mascarado na sociedade

    Que mantém as engrenagens de enriquecimento
    Dos supremacistas brancos avarentos
    O império dos endinheirados é conquistado
    Com genocídio e sangue derramado dos debaixo

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    A escravidão e seus métodos brutais
    Deixou como herança as psicoses sociais
    Conflito de poder, estupidez, arrogância
    Onde homens espancam mulheres e crianças

    Para provar sua dominação, controle
    Sendo violento iguais aos opressores
    Métodos que os senhores de engenho
    Usavam para violentar o povo negro

    As punições crueis, o abuso diário
    A fome e o açoite e o trabalho pesado
    Fez muitos afros conter suas emoções
    Para sobreviver às cruentas humilhações

    Isso perpetua de gerações em gerações
    Que ser forte é conter sentimentos e emoções
    Criança que não chora quando espancada
    É sinal de ser obediente, docilizada

    Essa ideologia desgraçada é o legado
    Da mentalidade do senhor de escravo
    Experimentar qualquer forma de consolo
    É ser considerado como fraco, tolo

    A sociedade reproduz a ideologia
    Preconceituosa, homofóbica, machista
    Que amar é coisa de mulherzinha e viado
    Que amar diminui sua virilidade de macho

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    A luta pela sobrevivencia é mais importante
    Do que o amor entre os semelhantes
    Essa herança colonialista vai embrutecendo
    E gerando conflitos violentos no gueto

    Ausência de amor aprisiona corações e mentes
    Quando nos amamos vivemos plenamente
    Falar de amor é falar de subversão
    É potencializar a luta e revolução

    Quando nos amamos vamos além da sobrevivência
    Das condições materiais imposta pelo sistema
    Temos que fortelecer a afetividade
    Amar é proceder, responsabilidade

    Para conhecer o amor precisamos aprender
    A responder as emoções de nossa psiquê
    Nossa saúde mental é nossa potência
    Tão importante na luta contra o sistema

    Temos que ousar lutar e confrontar
    As ideologias que nos impede de amar
    Chega de esconder nossas feridas e dores
    Chega de compactuar com a ideologia dos opressores

    Chega de reproduzir a mentalidade colonialista
    É hora de assumir uma atitude crítica
    Combater os condicionantes do sistema capitalista
    O amor é uma arte subversiva de luta pela vida

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    O amor precisa florecer na vida dos debaixo
    Dos encarcerados, periféricos, favelados
    Das mulheres negras, dos homens negros
    De todos e todas que sobrevivem no gueto

    Amor
    Quantos dos nossos são tirados o direito de amar, de ser amados
    Quantos dos nossos são inseridos numa lógica de frieza
    De repúdio a qualquer sentimento
    O amor não é democrático
    Históricamente ele foi arrancado dos nossos
    Nos deram ódio como único meio de nos expressarmos
    Colocar pra fora o que sentimos
    Eu mesmo só consegui dizer à pessoa que eu mais amava
    O amor que eu sentia por ela
    Dias antes de sua morte
    Assim como lutamos pelo direito à liberdade, pelo direito de ser livres
    Também temos que lutar pelo direito de amar e ser amados


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