395px

O Último Ato

La Dama Negra

El Último Acto

Se abren las puertas con puntual cortesía
El reloj marca la hora exacta
Abrigos negros, perfumes antiguos
Nadie sospecha lo que firma al sentarse

Las lámparas de gas sonríen despacio
El telón respira antes de alzarse
Esta noche no hay ficción
Solo un recuerdo que va a quedarse

Las tablas crujen como viejas promesas
Cada paso sabe a final
Los actores ensayan miradas
Que no aprenderán a olvidar

No hay programa entre las manos
Nadie pregunta el porqué
Las historias importantes
No avisan cuándo empiezan a morder

No es la obra lo que atrapa
Ni el verso, ni la escena final
Es el silencio entre aplausos
Donde algo empieza a faltar

Bienvenidos al último acto
Donde el público también cae
Cada gesto paga su precio
Cada mirada se va

No habrá sangre sobre el suelo
Ni gritos que puedan huir
Solo un vacío educado
Aprendiendo a aplaudir

Las sombras ocupan los palcos
Con modales de alta sociedad
Ellas conocen el desenlace
Lo vieron antes de empezar

Las voces bajan, los cuerpos siguen
Pero algo empieza a ausentarse
No todo el mundo vuelve a casa
Después de aprender a mirar

Los aplausos suenan perfectos
Medidos, exactos, correctos
Nadie nota que en cada palma
Se va quedando un recuerdo

El telón cae con elegancia
La función debe continuar
El arte no pide permiso
Cuando decide reclamar

No hay huellas que acusen al teatro
Ni culpa que pueda nombrar
La pérdida viste de gala
Y aprende a disimular

Bienvenidos al último acto
Donde el público también cae
Cada gesto paga su precio
Cada mirada se va

No habrá sangre sobre el suelo
Ni gritos que puedan huir
Solo un vacío educado
Aprendiendo a aplaudir

Si sientes frío al levantarte
No mires atrás
Lo dejaste en tu butaca
Escuchando una frase más

Ahora caminan por la calle
Con el rostro intacto y normal
Hablan de arte, de la noche
Sin saber qué dejaron atrás

Algo observa desde los espejos
Algo aprendió a seguirlos fiel
La función no terminó en el teatro
Solo cambió de piel

Este fue el último acto
Aunque jures que no lo fue
La obra sigue en tu silencio
En lo que ya no sabes ver

Cuando recuerdes esta noche
No intentes huir
Algunas funciones terminan
Cuando aprendes a salir

O Último Ato

As portas se abrem com pontual cortesia
O relógio marca a hora exata
Casacos pretos, perfumes antigos
Ninguém suspeita do que assina ao sentar

As lâmpadas a gás sorriem devagar
O pano de fundo respira antes de levantar
Esta noite não há ficção
Apenas uma lembrança que vai ficar

As tábuas rangem como velhas promessas
Cada passo tem gosto de final
Os atores ensaiam olhares
Que não aprenderão a esquecer

Não há programa entre as mãos
Ninguém pergunta o porquê
As histórias importantes
Não avisam quando começam a morder

Não é a peça que prende
Nem o verso, nem a cena final
É o silêncio entre aplausos
Onde algo começa a faltar

Bem-vindos ao último ato
Onde o público também cai
Cada gesto paga seu preço
Cada olhar se vai

Não haverá sangue no chão
Nem gritos que possam fugir
Apenas um vazio educado
Aprendendo a aplaudir

As sombras ocupam os camarotes
Com modos de alta sociedade
Elas conhecem o desfecho
Viram antes de começar

As vozes diminuem, os corpos seguem
Mas algo começa a se ausentar
Nem todo mundo volta pra casa
Depois de aprender a olhar

Os aplausos soam perfeitos
Medidos, exatos, corretos
Ninguém nota que em cada palma
Fica uma lembrança

O pano cai com elegância
A função deve continuar
A arte não pede permissão
Quando decide reivindicar

Não há marcas que acusem o teatro
Nem culpa que possa nomear
A perda se veste de gala
E aprende a disfarçar

Bem-vindos ao último ato
Onde o público também cai
Cada gesto paga seu preço
Cada olhar se vai

Não haverá sangue no chão
Nem gritos que possam fugir
Apenas um vazio educado
Aprendendo a aplaudir

Se sentir frio ao se levantar
Não olhe pra trás
Deixou isso na sua poltrona
Ouvindo uma frase a mais

Agora caminham pela rua
Com o rosto intacto e normal
Falam de arte, da noite
Sem saber o que deixaram pra trás

Algo observa dos espelhos
Algo aprendeu a segui-los fiel
A função não terminou no teatro
Apenas mudou de pele

Este foi o último ato
Embora jure que não foi
A peça continua no seu silêncio
No que você já não sabe ver

Quando lembrar desta noite
Não tente fugir
Algumas funções terminam
Quando você aprende a sair