Colpeja Fort
Un vell puja senda del poble a la muntanya,
I la senda dia a dia es fa més curta i més amarga,
Respira fort i torna cap a casa.
Ja no queden raboses ni llops,
Ni esclatasangs, ni margallons,
Ni figueres de pala, ni una trista sargantana
Un vell puja una senda del poble a la muntanya
I la senda dia a dia es fa més curta i més amarga,
Respira fort i torna cap a casa.
Ja no veu enamorats pels racons,
Ni sibarites del cannabis tampoc,
Ara estan fent hores extra per pagar-se l'hipoteca.
Ja fa temps que no plou,
Els cargols ja no pasturen,
I ara que hem de sobreviure,
Som imprevisibles
Colpeja fort.
Un vell puja una senda trencada i derruïda
I com més camina renega de la vida,
I blasfema i se'n recorda de la guerra.
Pels camins de pols xeringues i preguntes,
Els barrancs es trenquen i els ullals desapareixen,
I els marges ploren, les pedres ploren.
Tots els pous s'han farcit de sal,
I els diners han canviat de mans,
I els marges ploren i els fills se'n van del poble.
Ho hem gastat tot en la sembra
I ara no podem regar,
I ara que hem de sobreviure
Som imprevisibles
Colpeja fort.
Ens mantindrem fidels a aquest poble,
Ens mantindrem sempre fidels,
Al nostre poble.
Garbell del temps parany a la memòria.
El timó no brota
El desert s'acosta.
Colpeja fort companya
Colpeja.
Golpeia Forte
Um velho sobe uma trilha do povoado até a montanha,
E a trilha dia após dia fica mais curta e amarga,
Respira fundo e volta pra casa.
Já não há raposas nem lobos,
Nem cogumelos, nem margaridas,
Nem figueiras, nem uma triste lagartixa.
Um velho sobe uma trilha do povoado até a montanha
E a trilha dia após dia fica mais curta e amarga,
Respira fundo e volta pra casa.
Já não vê apaixonados nos cantos,
Nem apreciadores de cannabis também,
Agora estão fazendo hora extra pra pagar a hipoteca.
Já faz tempo que não chove,
Os caracóis já não pastam,
E agora que temos que sobreviver,
Somos imprevisíveis
Golpeia forte.
Um velho sobe uma trilha quebrada e destruída
E quanto mais caminha, mais reclama da vida,
E xinga e se lembra da guerra.
Pelos caminhos de poeira, seringas e perguntas,
Os barrancos se quebram e os caninos desaparecem,
E as margens choram, as pedras choram.
Todos os poços se encheram de sal,
E o dinheiro mudou de mãos,
E as margens choram e os filhos vão embora do povoado.
Gastamos tudo na semeadura
E agora não podemos regar,
E agora que temos que sobreviver
Somos imprevisíveis
Golpeia forte.
Nos manteremos fiéis a este povo,
Nos manteremos sempre fiéis,
Ao nosso povo.
Peneira do tempo, armadilha na memória.
O tomilho não brota
O deserto se aproxima.
Golpeia forte, companheira
Golpeia.