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Rasgar Minha Memória

La Rue Kétanou

Déchirer ma mémoire

Le soleil revient à sa place
Je rassemble les morceaux d'ma tête
Ma tête qui flotte à la surface
Du lendemain de cette fête
Au comptoir d'une aurore bancale
Je trinque à la santé d'personne
Une goutte de rosée matinale
Elle gifle ma gorge, je frissonne
J'ai froid et je n'en mène pas large
Dans ma chemise de nuit blanche
Ses batailles et ses dérapages
Et le rouge à lèvres sur ma manche
J'ai déchiré ma mémoire
Ma gueule, une photo de toi
Ma langue souillée dans la débauche
Patauge dans une écume pâteuse
Et l'arrière-goût qui la chevauche
Empeste mon haleine brumeuse
De mon sexe vagabond
L'odeur de celui d'une femme
S'échappe en un parfum brouillon
Je pisse contre un mur de Paname
J'ai encore couché au hasard
De l'autre côté de la frontière
Entre le rêve et le cauchemar
Avec une chatte de gouttière
J'ai déchiré ma mémoire
Ma gueule, une photo de toi
Elle traîne sur le trottoir
Le balayeur balayera
J'ai traversé tout Paris
Mes mains lourdes comme des valises
Et la porte de Choisy
S'ouvre sur une banlieue grise
Boulevard de Stalingrad, Vitry
Ma tanière grogne là-bas
Plus que trois étages et mon lit
Mon vieux berceau de gueule de bois
J'croise le facteur au rez-de-chaussée
J'lui dis bonsoir, il m'dit bonjour
J'lui demande s'il y a du courrier
Le courrier j'y pense toujours
Refrain
J'ai déchiré ma mémoire
Le balayeur balayera

Rasgar Minha Memória

O sol volta pro seu lugar
Eu junto os pedaços da minha cabeça
Minha cabeça flutua na superfície
Do dia seguinte dessa festa

No balcão de uma aurora instável
Eu brindo à saúde de ninguém
Uma gota de orvalho matinal
Ela estapeia minha garganta, eu estremeço

Estou com frio e não tô muito bem
Na minha camisa de dormir branca
Suas brigas e seus deslizes
E o batom na minha manga

Eu rasguei minha memória
Minha cara, uma foto sua

Minha língua suja na depravação
Mergulha numa espuma pastosa
E o gosto que a acompanha
Fede meu hálito nebuloso

Do meu sexo vagabundo
O cheiro de uma mulher
Escapa em um perfume bagunçado
Eu mijo contra um muro de Paris

Eu ainda dormi ao acaso
Do outro lado da fronteira
Entre o sonho e o pesadelo
Com uma gata de rua

Eu rasguei minha memória
Minha cara, uma foto sua
Ela tá jogada na calçada
O gari vai varrer

Eu atravessei todo Paris
Minhas mãos pesadas como malas
E a porta de Choisy
Se abre pra um subúrbio cinza

Boulevard de Stalingrado, Vitry
Minha toca resmunga lá longe
Mais três andares e minha cama
Meu velho berço de ressaca

Eu cruzo com o carteiro no térreo
Eu digo boa noite, ele me diz bom dia
Pergunto se tem correspondência
Correspondência eu sempre tô pensando

Refrão

Eu rasguei minha memória
O gari vai varrer

Composição: Florent Vintrigner, Olivier Leite