Mi Familia y Otros Animales
Que anda puesta ya la mesa
En el bazar de los excesos
Donde hay todo menos eso
Que se ve en las comidas inglesas
Armonía, paz y decoro
Aquí, la verdad es que no se estila
Que en esta familia de loros
De perros y gatos
De golpecitos en los platos
De ser el que habla y que nadie escucha
De ¡mamá! Sal de la ducha
Que ha llega'o la vecina
Y la vecina que te achucha
Y se mete hasta la cocina, claro
Así que antes de que sea tarde
Anímense mis cobardes
Cojan sitio entre empujones
Y no pierdan de vista
Este cuadro surrealista
Con pan, vino y dos funciones
Que más que una comida al uso
O una escena costumbrista
Te lo juro, es un abuso
Carnaza pa’ el psicoanalista ¡ay!
Son mis alimentos
Son mis sustratos
Me los como densos
Con bicarbonato
Porque si llega el trueno
Es que ha habido rayo
Y más que rayo centella
Y es que mi hermano es cosa mala con lo que corre
Y no se puede ya
¡Ya está bien, sonsoles, que eres una mareante!
Chiquilla, que nos vas a dar la comida
Igualita que mi madre
Que si no está dormida
Es que se ha echa'o una siesta
Y hace esperar hasta la vida
Pero la vida, como la conoce, ni se molesta
(Eso, eso, eso, eso)
No se termina aquí la cosa
Cuida'o tengan ustedes
Qué mujer más peligrosa
Ay, lo que sufren las baldosas
Si viene mi tía pruden
Que si le da por frotar
Lo mismo te arranca hasta un lunar
Que pa’ ella todo lo oscuro es mugre
Así que denme un respiro
Búsquenme un rellano
Y permítanme un segundo
Que grite bien a gusto
Que me han dicho que es muy sano
Son mis alimentos
Son mis sustratos
Me los como densos
Con bicarbonato
No ven señores que no hay donde agarrarse
Unos que no paran
Otros que no llegan
¡Mira! Ay, viene mi cuñao
Con su empane de primera
La cabecita en babia
Y su cuerpo en antequera
O mi tía meme
Tan pequeña, tan prieta
Echando al fuego leña
Clavando en plena grieta
O los perros, que van de tapaíllo
Y na’ más que levantas el brazo
Ya le han metío el hocicazo a lo mejor del solomillo
¡Vamos! Una merienda de negros
Un circo de cuatro pistas
El surround de seis canales
Ni un crucero de turistas
Ni Brasil en carnavales
No hay cuerpo que resista
Dos comidas principales
Con mi familia y otros animales
Son mis alimentos
Son mis sustratos
Me los como densos
Con bicarbonato
Minha Família e Outros Animais
Que já tá a mesa posta
No bazar dos excessos
Onde tem tudo menos isso
Que se vê nas comidas inglesas
Harmonia, paz e decoro
Aqui, a verdade é que não rola
Que nessa família de papagaios
De cachorros e gatos
De batidinhas nos pratos
De ser o que fala e que ninguém escuta
De ‘mãe! Sai do banho’
Que a vizinha já chegou
E a vizinha que te abraça
E se mete até na cozinha, claro
Então, antes que seja tarde
Animem-se, meus covardes
Tomem lugar entre empurrões
E não percam de vista
Esse quadro surrealista
Com pão, vinho e duas funções
Que mais que uma refeição comum
Ou uma cena do cotidiano
Te juro, é um abuso
Carne pra psicanalista, ai!
São meus alimentos
São meus substratos
Meus como densos
Com bicarbonato
Porque se chega o trovão
É que teve raio
E mais que raio, centelha
E é que meu irmão é coisa feia com o que corre
E não dá mais pra aguentar
Já chega, Sonsoles, que você é uma enjoada!
Menina, que você vai nos dar a comida
Igualzinha à minha mãe
Que se não tá dormindo
É que tirou uma soneca
E faz esperar até a vida
Mas a vida, como ela conhece, nem se incomoda
(E isso, isso, isso, isso)
Não acaba aqui a coisa
Cuidado, tenham vocês
Que mulher mais perigosa
Ai, o que sofrem os azulejos
Se vem minha tia Pruden
Que se ela resolve esfregar
Te arranca até uma pinta
Que pra ela tudo que é escuro é sujeira
Então me deem um respiro
Me arranjem um descanso
E me deixem um segundo
Pra gritar bem à vontade
Que me disseram que é muito saudável
São meus alimentos
São meus substratos
Meus como densos
Com bicarbonato
Não veem, senhores, que não tem onde se segurar
Uns que não param
Outros que não chegam
Olha! Ai, vem meu cunhado
Com seu jeito de primeira
A cabecinha nas nuvens
E seu corpo em Antequera
Ou minha tia Meme
Tão pequena, tão firme
Jogando lenha no fogo
Cravando na plena fissura
Ou os cachorros, que vão de espertinhos
E assim que você levanta o braço
Já meteram o focinho no melhor do filé
Vamos! Um lanche de pretos
Um circo de quatro pistas
O surround de seis canais
Nem um cruzeiro de turistas
Nem Brasil no carnaval
Não há corpo que resista
Duas refeições principais
Com minha família e outros animais
São meus alimentos
São meus substratos
Meus como densos
Com bicarbonato
Composição: Campolim Fernando de La Rua, La Shica, Pablo Martin, Hector Gonzalez Sanchez, Miguel Rodriganez Camara, Francisco Espada Fernandez