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E então a gente percebe

Serge Lama

Et puis on s'aperçoit

On arrive tout nu
Un matin au portique,
Parmi tant d'étrangers,
On est un inconnu
on découvre la vie
Tout comme une Amérique
On a soif d'être vieux,
Avant d'avoir vécu

Et puis, on s'aperçoit
Que partir, ça sert à rien,
Et puis, on s'aperçoit
Que de rester, ça sert à rien,
Alors, on reste,
Alors, on reste, n'importe où.

On se trouve un matin,
On est deux, face à face,
On se trouve un matin
Deux dans le même lit,
On découvre l'amour,
On lui cède la place,
Mais il fait la valise
Avant qu'on ait compris

Et puis, on s'aperçoit
Que d'être deux, ça sert à rien,
Et puis, on s'aperçoit
Que d'être seul, ça sert à rien,
Alors on fait, alors on fait,
N'importe quoi !

On rencontre un matin
Quelqu'un qui nous ressemble,
Un qui est étranger,
Parmi ces étrangers,
On échange des mots,
Et quelques verres ensemble,
A cet instant, on croit
Que la vie va changer

Et puis, on s'aperçoit
Que de parler, ça sert à rien,
Et puis, on s'aperçoit
Que de se taire, ça sert à rien,
Alors on dit, alors on dit,
N'importe quoi.

On se trouve, un matin,
Tout nu devant sa glace,
Devant son ombre morte,
On est presque étranger,
On se retourne un peu,
Mais le passé nous glace
Et on s'étonne alors,
D'avoir tellement changé,

Et puis, on s'aperçoit
Que le passé, ça sert à rien,
Et puis, on s'aperçoit
Que l'avenir, ça sert à rien,
Alors, on meurt, alors, on meurt
N'importe quand !

E então a gente percebe

A gente chega pelado
Uma manhã no portão,
Entre tantos estranhos,
A gente é um desconhecido
Descobrindo a vida
Como se fosse uma América
A gente tem sede de ser velho,
Antes mesmo de ter vivido

E então, a gente percebe
Que partir não adianta,
E então, a gente percebe
Que ficar não adianta,
Então, a gente fica,
Então, a gente fica, em qualquer lugar.

A gente se encontra uma manhã,
A gente é dois, cara a cara,
A gente se encontra uma manhã
Dois na mesma cama,
A gente descobre o amor,
Dá espaço pra ele,
Mas ele faz as malas
Antes que a gente entenda

E então, a gente percebe
Que ser dois não adianta,
E então, a gente percebe
Que ser só não adianta,
Então a gente faz, então a gente faz,
Qualquer coisa!

A gente encontra uma manhã
Alguém que se parece,
Um que é estranho,
Entre esses estranhos,
A gente troca palavras,
E alguns drinks juntos,
Nesse instante, a gente acredita
Que a vida vai mudar

E então, a gente percebe
Que falar não adianta,
E então, a gente percebe
Que ficar em silêncio não adianta,
Então a gente diz, então a gente diz,
Qualquer coisa.

A gente se encontra, uma manhã,
Todo nu na frente do espelho,
Diante da sua sombra morta,
A gente é quase um estranho,
A gente se vira um pouco,
Mas o passado nos congela
E a gente se surpreende então,
De ter mudado tanto,

E então, a gente percebe
Que o passado não adianta,
E então, a gente percebe
Que o futuro não adianta,
Então, a gente morre, então, a gente morre
A qualquer hora!

Composição: