Orígenes
Yo vengo de un territorio
Con cielo de claraboya
Con un río como mar
Que en ocasiones me ahoga
Empapado de nostalgia
Mi canción a veces nombra
Alguna vieja ilusión
Alguna cercana historia
Yo vengo de un territorio
De alegrías y sosobras
Y me acunaron candombes
Gardeles y Zitaorrosas
Identidad de mi canto
Equipaje de mi prosa
Tengo alma de bandoneon
Y corazón de milonga
Yo vengo de un territorio
Dónde soy casi extranjero
Comarca en la que conviven
Exilios propios y ajenos
Soledades de inmigrantes
Se afincaron en mi pecho
La patria que pudo ser
Y la que busco y no encuentro
La nostalgia de mi canto
No me apena ni me estorba
Es una marca que llevo
A manera de memoria
Ando en busca de mi tierra
Casi desde que nací
Hay veces que me parece
Que la tuve y la perdí
Origens
Eu venho de um lugar
Com céu de claraboia
Com um rio como mar
Que às vezes me afoga
Encharcado de nostalgia
Minha canção às vezes menciona
Alguma velha ilusão
Alguma história próxima
Eu venho de um lugar
De alegrias e angústias
E fui embalado por candombes
Gardeles e Zitaorrosas
Identidade do meu canto
Bagagem da minha prosa
Tenho alma de bandoneon
E coração de milonga
Eu venho de um lugar
Onde sou quase estrangeiro
Região onde convivem
Exílios próprios e alheios
Solidões de imigrantes
Se fixaram no meu peito
A pátria que poderia ser
E a que busco e não encontro
A nostalgia do meu canto
Não me entristece nem me atrapalha
É uma marca que carrego
Como uma memória
Estou em busca da minha terra
Quase desde que nasci
Às vezes parece que a tive
E a perdi.
Composição: Mario Carrero