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Adeus Ao Mundo 5

Laurindo Rabelo

Letra

    V
    A morte é dura,
    Porém longe da pátria é dupla a morte.
    Desgraçado do mísero, que expira
    Longe dos seus, que molha a língua, seca
    Pelo fogo da febre, em caldo estranho;
    Que vigílias de amor não tem consigo,
    Nem palavras amigas que lhe adocem
    O tédio dos remédios, nem um seio,
    Um seio palpitante de cuidados
    Onde descanse a lânguida cabeça!
    Feliz, feliz aquele, a quem não cercam
    Nesse momento acerbo indiferentes
    Olhos sem pranto; que na mão gelada
    Sente a macia destra d'amizade
    Num aperto de dor prender-lhe a vida!
    Feliz o que no arfar da ânsia extrema
    De desvelada irmã piedoso lenço,
    Úmido de saudades vem limpar-lhe
    As frias bagas dos finais suores!
    Feliz o que repete a extrema prece,
    Ensinada por ela, e beijar pode
    O lenho do Senhor nas mãos maternas!
    Desgraçado de mim!... Talvez bem cedo
    Longe de mãe, de irmãos, longe da pátria
    Tenha de me finar... Ramo perdido
    Do tronco que o gerou, e arremessado
    Por mão de Gênio mau à plaga alheia,
    Mirrarei esquecido! Os céus o querem,
    Os Céus são imutáveis: aos decretos
    Do Senhor curvarei a fronte humilde,
    Como cristão que sou. Eternidade,
    Recebe-me a teu bordo!... Adeus, ó mundo!


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