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Canção de Ninar para uma Viciada

Bernard Lavilliers

Berceuse pour une shootée

Tu l'as dans ta veine, tu le sais,
Y a le sommeil qui va descendre
Et puis sous le soleil qui naît
Nous ne pourrons plus nous comprendre

Je ne peux plus rien te donner
Et tu ne peux plus rien me prendre
Monsieur dealer, je te connais,
J'ai bien envie de te descendre

Petite soeur aux poignets fragiles
Petite voix cassée, absente,
Deux grands yeux fixés sur l'exil
Petite fleur légère, cassante

Dans cette chambre un peu baroque
Un peu sordide et un peu sale
Entre les Indes et le Maroc
Dans ce clair obscur de vestale

Tu restes là, me regardant,
Les mains tremblantes sous la toile
J'ai vu la mort à dix-sept ans
Sous cette lumière verticale

Il y avait un goût amer
Dans cette pièce froide et close
Pas de jetée et pas de mer,
Pas d'aurore tirant vers le rose

Le dealer finira tranquille
Loin des hôpitaux, des cliniques,
Protégé par les imbéciles,
Par le système et par les flics

Dans un décor très décadent
Avec ton fric, avec ta peine,
Avec ta mort, avec ton sang,
Ta solitude, avec tes veines

Petite soeur aux poignets fragiles
Petite voix cassée, absente
Deux grands yeux fixés sur l'exil
Ce matin-là dans l'ambulance.

Canção de Ninar para uma Viciada

Você tem isso nas veias, sabe,
O sono vai chegar
E sob o sol que nasce
Não vamos mais nos entender

Não posso mais te dar nada
E você não pode mais me tirar nada
Senhor traficante, eu te conheço,
Tô com vontade de te derrubar

Irmãzinha com os pulsos frágeis
Vozinha quebrada, ausente,
Dois grandes olhos fixos no exílio
Pequena flor leve, quebradiça

Nesta quarto meio barroco
Um pouco sórdido e um pouco sujo
Entre as Índias e o Marrocos
Neste claro-escuro de vestal

Você fica aí, me olhando,
As mãos tremendo sob o pano
Vi a morte aos dezessete anos
Sob essa luz vertical

Havia um gosto amargo
Nesta sala fria e fechada
Sem cais e sem mar,
Sem aurora puxando pro rosa

O traficante vai acabar tranquilo
Longe dos hospitais, das clínicas,
Protegido pelos idiotas,
Pelo sistema e pela polícia

Num cenário bem decadente
Com sua grana, com sua dor,
Com sua morte, com seu sangue,
Sua solidão, com suas veias

Irmãzinha com os pulsos frágeis
Vozinha quebrada, ausente
Dois grandes olhos fixos no exílio
Aquela manhã na ambulância.