Les Antimémoires
J'ai chanté pour des dames aux vertus périodiques
J'ai chanté pour des tables, j'ai chanté pour des briques
Chanté pour des poètes, chanté pour des marchands
Chanté pour des prophètes, chanté pour des truands
J'ai chanté dans des fêtes, j'ai chanté dans des champs
Chanté des idées bêtes pour des adolescents
J'ai chanté des sornettes à des vieux militants
Chanté pour des bourgeois aux remords languissants
Mais j'ai enfin compris qu' tout ça, c'était du vent
Que pour gagner sa vie, faut pas être exigeant
Elargir son public, ne plus tourner en rond
Faire du panoramique à la télévision
C'est bien plus sympathique de chanter pour les cons
Faut bien les consoler de leurs vies symétriques
De leur manque d'idées, de leur trouille chronique
J'aurai dans peu de temps ma gloire de Prisunic
J'écris des phrases creuses pour combler les grands vides
Je souffre des valseuses et je grossis du bide
On m'adule, on me fête, on me chante, on me siffle
J'ai des amis partout et surtout chez les flics
La connerie s'étend au-delà des frontières
C'est amusant pour cela que les hommes sont frères
Les cons se reproduisent, contaminent et pullulent
Sur d'autres galaxies, y a déjà des émules
On n'est plus jamais seul, quand on est vraiment con
On se sent très très fort, on est une Nation
Je suis le roi des cons, je règne et j'en profite
Que les intelligents se terrent dans leurs mythes !
As Antimemórias
Eu cantei para damas de virtudes passageiras
Eu cantei para mesas, eu cantei para tijolos
Cantei para poetas, cantei para comerciantes
Cantei para profetas, cantei para marginais
Eu cantei em festas, eu cantei em campos
Cantei ideias bobas para adolescentes
Cantei besteiras para velhos militantes
Cantei para burgueses com remorsos arrastados
Mas eu finalmente entendi que tudo isso era conversa
Que pra ganhar a vida, não pode ser exigente
Ampliar o público, não ficar dando voltas
Fazer panorâmicas na televisão
É muito mais simpático cantar para os idiotas
Tem que consolar os idiotas de suas vidas simétricas
De sua falta de ideias, de seu medo crônico
Em breve terei minha glória de loja de departamento
Eu escrevo frases vazias para preencher os grandes vazios
Sofro com as balanças e engordo a barriga
Me aclamam, me festejam, me cantam, me assobiam
Tenho amigos em todo lugar e principalmente entre os policiais
A idiotice se espalha além das fronteiras
É engraçado por isso que os homens são irmãos
Os idiotas se reproduzem, contaminam e proliferam
Em outras galáxias, já tem seguidores
Nunca estamos sozinhos, quando somos realmente idiotas
Nos sentimos muito, muito fortes, somos uma Nação
Eu sou o rei dos idiotas, eu reino e aproveito
Que os inteligentes se escondam em seus mitos!
Composição: Bernard Lavilliers