Saint-Étienne
On n’est pas d’un pays mais on est d’une ville
Où la rue artérielle limite le décor
Les cheminées d’usines hululent à la mort
La lampe du gardien rigole de mon style
La misère écrasant son mégot sur mon cœur
A laissé dans mon sang la trace indélébile
Qui a le même son et la même couleur
Que la suie des crassiers, du charbon inutile
Les forges de mes tempes ont pilonné les mots
J’ai limé de mes mains le creux des évidences
Les mots calaminés crachent des hauts-fourneaux
Mes yeux d’acier trempé inventent le silence
Je me saoule à New York et me barre à Paris
Je balance à Rio et ris à Montréal
Mais c’est quand même ici que poussa tout petit
Cette fleur de grisou à tige de métal
On n’est pas d’un pays mais on est d’une ville
Où la rue artérielle limite le décor
Les cheminées d’usines hululent à la mort
La lampe du gardien rigole de mon style
Saint-Étienne
A gente não é de um país, mas é de uma cidade
Onde a rua principal define o cenário
As chaminés das fábricas uivam até a morte
A lâmpada do vigia ri do meu estilo
A miséria esmagando seu cigarro no meu coração
Deixou na minha veia a marca indelével
Que tem o mesmo som e a mesma cor
Que a fuligem dos lixões, do carvão inútil
As forjas das minhas têmporas martelaram as palavras
Eu limpei com as minhas mãos o vazio das evidências
As palavras enegrecidas cuspem de altos-fornos
Meus olhos de aço temperado inventam o silêncio
Eu me embriago em Nova York e me mando pra Paris
Eu me jogo no Rio e dou risada em Montreal
Mas é aqui que nasceu bem pequeno
Essa flor de gás metano com caule de metal
A gente não é de um país, mas é de uma cidade
Onde a rua principal define o cenário
As chaminés das fábricas uivam até a morte
A lâmpada do vigia ri do meu estilo
Composição: Bernard Lavilliers