Bonhomme
Malgré la bise qui mord,
La pauvre vieille de somme
Va ramasser du bois mort
Pour chauffer Bonhomme,
Bonhomme qui va mourir
De mort naturelle.
Mélancolique, elle va
A travers la forêt blême
Où jadis elle rêva
De celui qu'elle aime,
Qu'elle aime et qui va mourir
De mort naturelle.
Rien n'arrêtera le cours
De la vieille qui moissonne
Le bois mort de ses doigts gourds,
Ni rien ni personne,
Car Bonhomme va mourir
De mort naturelle.
Non, rien ne l'arrêtera,
Ni cette voix de malheure
Qui dit: "Quand tu rentreras
Chez toi, tout à l'heure,
Bonhomme sera déjà mort
De mort naturelle."
Ni cette autre et sombre voix,
Montant du plus profond d'elle,
Lui rappeler que, parfois,
Il fut infidèle,
Car Bonhomme, il va mourir
De mort naturelle.
Boneco
Apesar do vento gelado,
A pobre velha de sempre
Vai juntar lenha seca
Pra aquecer o Boneco,
Boneco que vai morrer
De morte natural.
Melancólica, ela vai
Através da floresta pálida
Onde um dia ela sonhou
Com aquele que ama,
Que ama e que vai morrer
De morte natural.
Nada vai parar o curso
Da velha que colhe
A lenha seca com seus dedos dormentes,
Nem nada nem ninguém,
Pois o Boneco vai morrer
De morte natural.
Não, nada a vai parar,
Nem essa voz de desgraçado
Que diz: "Quando você voltar
Pra casa, mais tarde,
O Boneco já estará morto
De morte natural."
Nem essa outra e sombria voz,
Vindo do mais profundo dela,
Lhe lembrar que, às vezes,
Ele foi infiel,
Pois o Boneco, ele vai morrer
De morte natural.