O Bistrô
Num canto podre
Do pobre Paris,
Em uma praça,
Tem um velho bistrô
Gerido por um cara
Decrépito.
Se você tem paladar,
Se precisa de vinho
De primeira classe,
Vá beber em Passy,
O néctar daqui
Te supera.
Mas se você tem a garganta
Com uma armadura de aço
Estofada,
Prove esse veludo,
Esse azul pesado
De ameaças.
Você encontrará lá
A fina flor da
População,
Todos os cozinheiros,
Os calamitosos,
Da praça.
Que vêm em fila,
Como os arenques,
Ver de frente
A beleza do bistrô,
A mulher daquele
Decrépito.
Que eu beba à vontade
A água de todas as
Fontes Wallace,
Se, a partir de hoje,
Você não se deixar
Encantar pela graça.
Dessa linda fada
Que, de um buraco, fez
Um palácio.
Com seus encantos,
De cima até embaixo,
Bem no lugar.
Esses tesouros exquisitos,
Quem os abraça, quem
Os envolve?
Realmente, é demais!
Tudo isso por aquele
Decrépito!
É injusto e louco,
Mas o que você quer
Que a gente faça?
O amor envelhece,
Ele não tem mais os olhos
Bem à frente.
Se você for cortejar,
Tente que seus discursos
Não a irritem.
Seja educado, meu chapa,
Nada de gestos ou
Cuidado com a quebra.
Pois a mão que estala,
Pune com um tapa
As ousadias.
Certamente, não nasceu
Quem vai meter o nariz
Na sua xícara.
Não nasceu, o sortudo
Que descongelará esse
Bloco de gelo.
Quem fará pelas costas
Os chifres daquele
Decrépito.
Num canto podre
Do pobre Paris,
Em uma praça,
Uma espécie de fada,
De um velho buraco, fez
Um palácio.