Contrappunti
Dal più profondo buio della notte due occhi vuoti sfuggono le stelle.
La fabbricante d'angeli è già scesa ma incespica coi ferri arrugginiti.
Sul ventre già fiorito di una ingenua ragazzina la luna si ferisce passando i vetri rotti.
E d'improvviso l'aria si raffredda;
sui tetti scuri argenta la rugiada;
più non respira il seno è ormai di pietra
che un dolce inganno un giorno aveva sciolto.
Stanca è ormai la vecchia che si perde nella nebbia
mentre le campane annunciano la festa
Contrapontos
Do mais profundo escuro da noite, dois olhos vazios fogem das estrelas.
A fabricante de anjos já desceu, mas tropeça com os ferros enferrujados.
Sobre o ventre já florido de uma ingênua garotinha, a lua se fere ao passar pelos vidros quebrados.
E de repente o ar esfria;
nos telhados escuros, a orvalho brilha;
já não respira, o peito é de pedra
que um doce engano um dia havia dissolvido.
Cansada está a velha que se perde na névoa
enquanto os sinos anunciam a festa.
Composição: Aldo Tagliapietra / Gian Piero Reverberi