Garçom Pendura a Saudade

Leandro Prudêncio

Já pedi a conta, mas o coração não quer pagar
A cada gole, uma lembrança vem me visitar
O gelo derreteu no copo e o meu peito em brasa
Eu invento mil desculpas pra não ter que ir pra casa
Porque lá no quarto, o silêncio grita o seu nome
E a falta que você me faz é o que me consome

O pessoal da limpeza já tá de olho em mim
Me perguntando se a noite não vai ter um fim
Eu respondo que a noite acaba, mas a dor não passa
E que amar você sozinho é minha maior desgraça

Garçom, pendura a saudade na conta do amor
Traz outra gelada pra ver se anestesia a dor
Hoje eu sou o último a sair, o primeiro a sofrer
Perdido no fundo do copo, tentando te esquecer!

Garçom, não fecha o caixa que eu ainda não tô bem
Tô esperando o milagre de ver meu grande bem
Mas se ela não vier, pode baixar o portão
Que eu viro a cadeira e durmo aqui no chão!

Dizem que o tempo cura tudo, mas o tempo parou
Naquele minuto exato em que você me deixou
O relógio não anda, a ferida não fecha

Garçom, pendura a saudade na conta do amor
Traz outra gelada pra ver se anestesia a dor
Hoje eu sou o último a sair, o primeiro a sofrer
Perdido no fundo do copo, tentando te esquecer!

Garçom, não fecha o caixa que eu ainda não tô bem
Tô esperando o milagre de ver meu grande bem
Mas se ela não vier, pode baixar o portão
Que eu viro a cadeira e durmo aqui no chão!

Vira a cadeira
Deixa a luz acesa, por favor
Garçom
Pendura a saudade


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